Recantos de Nova Iorque
Richard Jenkins e Hiam Abass: um retrato da grande metrópole

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Recantos de Nova Iorque

Com uma única nomeação — Richard Jenkins (melhor actor) — "O Visitante", de Thomas McCarthy, surge nos Oscars como um legítimo representante do melhor da produção independente

E se Richard Jenkins ganhasse o Oscar de melhor actor? A hipótese parece quase absurda, de tal modo ele surge na bolsa de apostas como um vencedor "impossível", muito longe da cotação de Mickey Rourke ("O Wrestler") ou Sean Penn ("Milk").

E, no entanto, o simples facto de tal hipótese ser enunciável representa uma pequena vitória simbólica para um filme como "O Visitante" — de facto, há mesmo filmes para os quais uma simples nomeação (para mais de uma categoria tão importante como a de melhor actor) é mesmo uma proeza determinante.

Escrito e dirigido por Thomas McCarthy, "O Visitante" surge nos Oscars/2009 como modelo exemplar de uma produção independente que se mantém atenta às convulsões da sociedade americana. A história do professor universitário (Jenkins) que encontra um casal de estrangeiros a habitar o seu apartamento de Nova Iorque começa com uma peripécia quase policial para, a pouco e pouco, se transformar numa viagem através dos recantos de uma grande metrópole onde se cruzam raças, culturas e diferentes entendimentos do mundo.

No contexto português, importa sublinhar um dado complementar, também ele muito simples: é bom que um objecto destes, ao mesmo tempo tão tocante e tão desamparado, tivesse chegado às salas. A "pequenez" de produção de um filme não é, por certo, uma boa razão para o enviar directamente para os circuitos de DVD.

O VISITANTE

De Thomas McCarthy com Richard Jenkins, Haaz Sleiman, Danai Jekesai Gurira; Drama, Romance; 104m; M/12; Eua; 2007


Ouça a crítica de João Lopes

 

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