Redescobrindo o cinema francês

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Redescobrindo o cinema francês

A redescoberta da obra de André Téchiné é apenas um dos sinais que permite confirmar toda uma dinâmica cultural e comercial: em jogo está a pluralidade da França cinematográfica.

"Os Juncos Silvestres / Les Roseaux Sauvages" (1994) é um dos quatro filmes de André Téchiné que, recentemente, chegaram ao mercado do DVD (os outros, todos produzidos nas décadas de 80/90, são "O Silêncio do Amor", Não Dou Beijos" e "A Minha Estação Preferida"). O realizador esteve entre nós, não apenas para acompanhar o respectivo lançamento, mas também para marcar presença na abertura da retrospectiva que a Cinemateca lhe está a dedicar — tudo isto, convém, acrescentar, enquadrado pela realização da 11ª edição da Festa do Cinema Francês, a decorrer em várias cidades do país (Lisboa, Porto, Coimbra, Almada, Faro e Guimarães) até 9 de Novembro.

Esta conjuntura permite que digamos, já não como uma suposição, mas como uma certeza, que se está a viver um processo (português) de redescoberta do cinema francês. Em boa verdade, trata-se de renovar laços — culturais & comerciais — que, para várias gerações, pelo menos até à década de 80, forma vividos como elementos naturais do consumo.

A confirmar tal dinâmica, temos assistido a algumas estreias de títulos presentes na Festa, incluindo "Arrependimentos", de Cédric Kahn, "O Pai das Minhas Filhas", de Mia Hansen-Love, ou ainda o genial "36 Vistas do Monte Saint-Loup", de Jacques Rivette.

De facto, o cinema francês não é — nunca foi! — uma colecção de variações mais ou menos "literárias" ou "teatrais". Esse lugar-comum é tão agressivo, e tão despido de qualquer fundamento, como o que insiste em reduzir o cinema americano como uma fábrica de "efeitos especiais"... A produção francesa distingue-se, antes de tudo o mais, pela pluralidade das suas opções temáticas, estéticas e financeiras. Certamente não por acaso, entre as cinematografias europeias, é também uma das que possui uma maior implantação, tanto no plano interno como, genericamente, nos mercados internacionais.

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