Retrato de uma América sem glamour
Bruce Dern e Will Forte em "Nebraska": a velhice de uma América esquecida

Cannes, dia 9: NEBRASKA, Alexander Payne  

Retrato de uma América sem "glamour"

O veterano Bruce Dern reaparece em "Nebraska", filme dirigido por Alexander Payne: o retrato da velhice confunde-se, aqui, com a descoberta de uma América interior, esquecida pelo progresso.

Trailer/Cartaz/Sinopse:
 Retrato de uma América sem glamour
Nebraska Pai e filho fazem uma viagem de Montana a Nebraska para tentar ganhar um prémio no valor de um milhão de dólares.
Média Cinemax:
3.833

Alexander Payne é um dos mais insólitos cineastas da produção americana contemporânea, no sentido em que faz filmes devedores dos géneros clássicos, mas sempre com um twist mais ou menos desconcertante que lhes confere uma vibração muito especial. Recordemos, por exemplo, "Os Descendentes" (2011), um melodrama familiar recheado de subtis ressonâncias emocionais.

"Nebraska", o seu novo filme, presente na competição de Cannes, é mais um exemplo desse seu carácter "não-alinhado". E não apenas porque se apresenta fotografado a preto e branco (por esse magnífico cinematographer que é Phedon Papamichael). Sobretudo porque o seu empenho em seguir um bizarro "não-herói" lhe confere a dimensão simbólica, emocionalmente muito subtil, de requiem por uma América esquecida.

Tudo gira em torno de Woody Grant, um velho que se convence que uma daquelas promoções de lotarias que chegam via correio lhe deu, de facto, um prémio de um milhão de dólares. De tal modo que decide sair de casa e começar a caminhar para ir a Lincoln, Nebraska, reclamar o seu prémio... Acontece que o estado do Nebraska fica a várias centenas de quilómetros...

Num tom muito característico, dramático mas sempre com contrapontos irónicos, por vezes, muito bem humorados, Payne faz um filme que, para além de retratar uma família à procura da sua unidade perdida, expõe as rotinas de uma América sem "glamour", por assim dizer esquecida pelo progresso. E o veteraníssimo Bruce Dern, no papel principal, dá provas de uma naturalidade muito cássica, paradoxalmente muito rica e elaborada.

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publicado 00:35 - 24 maio '13

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