Revisitando os bastidoresda televisão e da política
Entre David Frost e Richard Nixon, era todo um capítulo da história americana que estava a ser reavaliado

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Revisitando os bastidores
da televisão e da política

Com "Frost/Nixon", o cinema americano revisita o ano de 1977, quando Richard Nixon, já ex-Presidente, volta a enfrentar as câmaras de televisão

Esta magnífica fotografia de rodagem de "Frost/Nixon" — com o realizador Ron Howard ao centro, na penumbra — resume bem o que estava em jogo na evocação das entrevistas de David Frost (Michael Sheen, à esquerda) a Richard Nixon (Frank Langella, à direita). Tratava-se, afinal, de encenar uma situação que, em si mesma, já existe através de outras formas de encenação — que é como quem diz: uma entrevista de televisão.

Acima de tudo, o filme consegue contrariar essa ideia muito expandida, e também muito simplista, segundo a qual uma entrevista televisiva é um espaço "natural" onde as pessoas se limitam a falar "naturalmente", fazendo emergir uma "natural" verdade.

Nada disso: a verdade não tem mesmo nada de natural — é uma construção, como qualquer narrativa, e por isso mesmo existe de forma tão precária e tão instável.

Na prática, isto faz com que "Frost/Nixon" seja um filme sobre os bastidores da comunicação televisiva e, inseparavelmente, uma reavaliação do drama protagonizado por aqueles dois homens. A saber: como enfrentar a verdade do escândalo Watergate, sobretudo naquela altura (1977) em que Nixon era uma personalidade excluída da cena política?

Lembremos o óbvio, mas tantas vezes esquecido: Hollywood continua a lidar com as memórias, mesmo as mais traumáticas, do seu próprio país.

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