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Riso e lágrimas em tom francês

Fabrice Luchini e Patrick Bruel constituem o trunfo principal de "O Melhor Ainda Está para Vir", filme que revisita a herança da chamada comédia dramática — "à la française", claro.

Riso e lágrimas em tom francês
Fabrice Luchini e Patrick Bruel: pelos caminhos da comédia dramática
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Seja qual for a sinopse com que se apresente um filme como "O Melhor Ainda Está para Vir", os seus elementos não poderão deixar de instalar uma desconcertante sensação de absurdo. As figuras centrais são dois velhos amigos, ligados por uma cumplicidade reforçada pelas respectivas diferenças de personalidade: um deles fica a saber, acidentalmente, que o outro, sem o saber, sofre de um cancro gravíssimo; ao tentar dizer-lhe, atrapalha-se de tal maneira que o segundo julga que é o primeiro que está doente...

Estamos, afinal, perante uma variação sobre um modelo tradicional — desde logo, neste domínio da produção francesa — em que a comédia se alimenta do drama. Daí, claro, a também tradicional designação de comédia dramática. O menos que se pode dizer da realização da dupla Alexandre de La Patellière/Matthieu Delaporte é que tem a sensatez de nunca reduzir as suas personagens a estereótipos do que quer que seja, interessando-se sobretudo pelas convulsões afectivas que enfrentam.


Não admira que o trunfo principal de "O Melhor Ainda Está para Vir" seja a dupla de protagonistas — Fabrice Luchini e Patrick Bruel —, explorando com subtileza os contrastes entre o riso e as lágrimas que as situações vão gerando. O elenco é, aliás, muito sólido, incluindo ainda, por exemplo, Zineb Triki, actriz francesa de ascendência marroquina que vimos, por exemplo, na série "Homeland/Segurança Nacional".

Enfim, a certa altura, dir-se-ia que o argumento do filme se preocupa menos em fazer valer as singularidades das personagens e mais em prolongar, de modo mais ou menos arbitrário, o "suspense" inerente ao equívoco que os dois amigos protagonizam. Ainda assim, sublinhe-se a persistência de um certo cinema francês que não se "vendeu" à banalidade de heróis gerados apenas por efeitos especiais... 

Crítica de João Lopes
publicado 21:58 - 28 novembro '20

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