Estreia  

Romantismo e fantasia segundo Woody Allen

Woody Allen regressa com mais uma produção de raiz europeia, desta vez superando a rotina de alguns trabalhos anteriores: "Meia-Noite em paris" combina o real e o imaginário.

Romantismo e fantasia segundo Woody Allen
Marion Cotillard e Owen Wilson: Paris revisto por Woody Allen
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 Romantismo e fantasia segundo Woody Allen
Meia-noite em Paris Esta é a nova comédia de Woody Allen, que decorre em Paris e conta a história de uma família que viaja até lá em negócios, e de um casal, prestes a casar, que durante a sua estadia vai viver um conjunto de experiências que lhes muda a vida. É ainda a história do amor de um jovem pela cidade de Paris, e da ilusão, que quase todos partilhamos, de que a vida dos outros é sempre melhor do que a ...
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Critica "Meia Noite em Paris"
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Romantismo e fantasia segundo Woody Allen
Owen Wilson e Woody Allen O realizador e ator trocam argumentos sobre a história e a personagem principal de "Meia Noite em Paris".

Afinal, de que falamos quando falamos de Woody Allen?... Ou ainda: porque é que, apesar de tudo, continuamos a gostar de Woody Allen?

Porquê apesar de tudo? Porque continuamos a senti-lo como da família, mas algumas das suas aventuras na produção europeia têm deixado a sensação amarga de projectos "de prestígio" alicerçados em rodagens aceleradas, pouco cuidadas, por vezes afectando aquilo que é uma imagem de marca de Woody Allen, ou seja, a fluência de escrita de argumento(s). Exemplo? "Vicky Cristina Barcelona" (2008), uma parada de citações da própria obra abrilhantada por um leque de bons actores em rotina de descompressão.

Chega-nos, agora, "Meia-Noite em Paris" e, mesmo se é verdade que continuamos longe do fulgor dos melhores filmes do autor (o último, para mim, é "Celebridades", lançado em 1998), não é menos verdade que sabe bem reencontrar um registo que já deu origem a coisas maravilhosas como "A Rosa Púrpura do Cairo" (1985). Ou seja: a comédia romântica que se transfigura em deambulação mais ou menos fantástica (ou fantasista).

Em termos simples, digamos que esta é a história de um argumentista (!) de Hollywood que, na procura de inspiração para o seu primeiro romance (em Paris, hélas!), descobre uma espécie de cidade alternativa habitada pelas suas próprias memórias... Memórias artísticas, comme il faut, numa viagem no tempo em que o protagonista se vai cruzando com Cole Porter, Ernest Hemingway ou Pablo Picasso.

Acima de tudo, sentimos em "Meia-Noite em Paris" um verdadeiro gosto pelas potencialidades da narrativa cinematográfica, para mais sem instrumentalizar os actores, antes acreditando nas suas peculiaridades. A muito falada presença de Carla Bruni corresponde, de facto, a um papel secundaríssimo (uma guia turística), mas é uma boa solução de casting. Owen Wilson e Rachel MacAdams funcionam muito bem no par central, mas os destaques vão para as presenças de Marion Cotillard, Michael Sheen e Adrien Brody, este compondo um breve e fulgurante Salvador Dali.

Crítica de João Lopes actualizado às 22:53 - 16 setembro '11
publicado 14:14 - 15 setembro '11

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