Saverio Costanzo: orgulhoso do cinema italiano mas desconfiado do povo...

Realizador de "Solidão dos Números Primos"  

Saverio Costanzo: orgulhoso do cinema italiano mas desconfiado do povo...

É um dos valores de uma nova geração de cineastas, mas defende que nem sempre o reconhecimento em casa é o melhor caminho para o cinema italiano.

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Entrevista Saverio Costanzo sobre "A Solidão dos Números Primos"

Saverio Costanzo tem 36 anos e gosta de achar que faz filmes contra a corrente, em rebelião com a geração a que pertence, que cresceu com a televisão ligada, e que é influenciada por ela. Dá uma gargalhada enquanto remata que, talvez por causa dessa rebelião, os seus filmes nunca passarão na televisão, mas essa é uma consequência que está disposto a enfrentar.

"Não se pode confiar no público italiano", diz para esclarecer sobre esse pretenso bom momento de bilheteira que o cinema italiano atravessa em casa. "Os italianos vão atrás da comédia, não podes fazer um drama porque eles não querem ver nada disso" diz o realizador cujo o último filme, "A Solidão dos Números Primos", estreado em Portugal, está para além do dramático numa vertigem depressiva, capaz de pôr à prova o mais resistente dos espectadores.

Elogio dos autores italianosPor um lado ataca todos os quadrantes, desde a produção cinematográfica, à sociedade, ou à política, mas sente-se orgulhoso do país e dos valores italianos.

Depois de relembrar que a Itália deixou de ter grandes cineastas durante algumas décadas, presa aos neo-realistas, afirma que é também o país com os melhores realizadores do mundo. E não são apenas um ou outro, são muitos, mas por vezes sem grandes oportunidades de carreira.

São criativos e combativos, mas nem sempre sabem usar essas caracteristicas a seu favor. Resta conformar-se com o país que tem, e volta à mesma frase: "Não podes confiar no povo italiano, num povo que deixa no poder figuras como Silvio Berlusconi".

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