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Sexo, comédia e romantismo

Baseado num "best-seller" de Becky Albertalli, "Com Amor, Simon" propõe o retrato de um jovem homossexual que resiste a "sair do armário" — um sugestivo exemplo de um cinema atento às singularidades individuais.

Sexo, comédia e romantismo
Katherine Langford e Nick Robinson em "Com Amor, Simon" — uma comédia sobre as identidades sexuais
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Os temas ligados à sexualidade, a todas as sexualidades, proliferam nas mais variadas formas narrativas. Com resultados mais interessantes ou menos interessantes, por eles passa, afinal, um valor fundamental. A saber: a revalorização das diferenças, no limite, a afirmação das singularidades individuais. Assim acontece com o filme "Com Amor, Simon", de Greg Berlanti.

Trata-se de uma história de um jovem estudante (Nick Robinson, excelente) que nunca revelou, nem aos colegas, nem no seio da família, o facto de ser homossexual. Com uma nuance que está longe de ser secundária: afinal, por que é que ele há-de "revelar" o que quer que seja? Sair do armário é uma opção individual ou uma obrigação social?


O mínimo que se pode dizer de "Com Amor, Simon" é que estamos perante uma narrativa que não procura generalizações fáceis, preferindo valorizar as especificidades de uma história concreta, num contexto particular (um liceu na cidade de Atlanta, Georgia). E através de um registo cuja aparente ligeireza não exclui uma elaborado subtileza emocional — estamos, de facto, perante uma comédia romântica.

Tal registo envolve uma discreta pedagogia, de alguma maneira alicerçada na proposta do romance em que o filme se baseia, da autoria de Becky Albertalli. Sem secundarizar os muitos relatos dramáticos decorrentes das lutas pelo direito à(s) diferença(s), assim se prova que é possível relançar para os dias de hoje todos os géneros clássicos, incluindo, justamente, a comédia romântica — Hollywood também tem memória.

Crítica de João Lopes actualizado às 15:53 - 24 junho '18
publicado 15:48 - 24 junho '18

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