Simão Cayatte na Cinéfondation de Cannes
"A Viagem" com Margarida Carpinteiro e Orlando Costa nos papéis principais

Cannes 2011  

Simão Cayatte na Cinéfondation de Cannes

O CINEMAX entrevistou o realizador de "A Viagem, o único filme português na selecção oficial do festival.

A secção Cinéfondation é conhecida por descobrir e divulgar novos talentos do cinema internacional, vindos de escolas e universidades de todo o mundo. De entre quase 1600 trabalhos enviados, a curta-metragem do português Simão Cayatte foi escolhida para estar entre os 16 em competição.O filme será exibido na próxima sexta-feira, dia 20.

O evento decorre entre 11 e 22 de Maio, e os vencedores serão conhecidos dia 20 desse mês. 

Simão Cayatte é o realizador português em destaque. Tem 26 anos e é filho de pai português e mãe finlandesa.

O CINEMAX quis saber melhor quem é este jovem realizador e o que significa esta nomeação em Cannes.

Cinemax: Sempre esteve interessado no cinema e na realização?

Simão Cayatte: Sempre tive uma enorme paixão por cinema. Quando era muito jovem, a minha avó materna levou-me a ver filmes como "Vertigo", "2001: Odisseia no Espaço" e "Era Uma Vez no Oeste"; filmes que me marcaram muito e que ainda hoje considero favoritos. Durante a adolescência andava de câmara à mão a filmar tudo o que me passava pela frente, mas o meu percurso acabou por ser através do teatro. Entrei em espetáculos como actor nos Lisbon Players, nalguns pequenos papéis em cinema e depois fui estudar encenação de teatro na Goldsmiths College em Londres de 2003 a 2006.

Que outros trabalhos já realizou?

De regresso a Portugal em 2006 co-criei alguns espetáculos de performance em Lisboa e participei no workshop de Live Art com a companhia Third Angel na Fundação Calouste Gulbenkian. Foi nessa altura que escrevi e realizei as minhas primeiras curtas-metragens, entre as quais "The Blind Voyeur" (recipiente do Jury Prize no festival online de cinema FILMAKA) e "Out of the Blue". Estas curtas foram feitas com a ajuda essencial de amigos e actores que acreditaram no meu trabalho, entre os quais o actor João Grosso, com quem aprendi muito.

Qual é a sua ligação a Portugal? / Actualmente que está a fazer em Nova Iorque?

Apesar de já ter vivido em vários países, Portugal é a minha casa. A nossa poesia e maneira de ver o mundo faz parte de quem sou e é algo que quero explorar através do cinema. Vim para Nova Iorque estudar cinema porque gosto de usar a câmara para contar histórias e encontrei na Columbia University um método de trabalho e visão do cinema com a qual me identifico plenamente. O curso foca-se principalmente na narrativa, e a partir daí na realização como consequência da história que se esta a contar - a escrita informa os planos, e não ao contrário. Foi então a minha ligação a Portugal e a minha paixão pelo cinema que me fez querer fazer um filme em Portugal, com actores Portugueses e falado em Português.

Em que se baseia "A Viagem"?

O filme é inspirado no conto de Sophia de Mello Breyner Andresen "A Viagem". É um conto alegórico e poético, mas ao mesmo tempo cheio de tensão dramática. Achei que poderia servir como ponto de partida para contar uma história em Portugal, mas que ao mesmo tempo fosse compreendida lá fora. Agarrei-me a ideia do desaparecimento inexplicável das coisas (tema explorado no conto) e a partir daí criei os personagens.

Como é ser um dos 16 selecionados para esta secção de Cannes?

É um grande privilégio. Como jovem cineasta e como Português. É também um grande orgulho poder dar esta notícia à equipa com quem trabalhei, porque se não fosse a ajuda e empenho de todos os que participaram neste projecto este filme não teria sido possível.

O que é que pretende alcançar na "Cinéfondation"? Há esperança de levar um prémio para casa?

Sinceramente só o facto de ser selecionado me deixa extremamente feliz. Se houver um prémio, então ainda melhor.

Esta nomeação é um ponto alto, ou até de partida, para a sua carreira?

Ser selecionado para o festival de Cannes é inevitavelmente um ponto alto. Sei intimamente que hei de fazer filmes enquanto puder, haja dinheiro ou não, porque é a minha paixão. Se o festival me facilitar a hipótese de realizar com mais meios no futuro, então ficarei muito contente.

"A Viagem"- sinpose

António passa o dia na taberna. Maria faz tricot e passa o dia em casa a ver televisão. Mas um dia, António sofre um repentino ataque cardíaco ao qual sobrevive mas que o faz questionar a vida a sua volta e voltar a apaixonar-se pela mulher com quem vive há anos, mas que já mal conhece. Sem pensar duas vezes pega nas poupanças de ambos, aposta o dinheiro, e aluga um descapotável para ir de férias com a mulher. Só que António esquece-se do mapa. E a partir daí as coisas começam a correr mal ao ponto em que o casal se vê perdido no meio do bosque à noite e ao frio sem saber para onde ir...

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