Sob o signo de Schroeter
Isabelle Huppert, 1991, por Werner Schroeter

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Sob o signo de Schroeter

Falecido aos 65 anos de idade, Werner Schroeter foi um nome central na renovação do moderno cinema alemão: "A Morte de Maria Malibran" (1972) e "Malina" (1991) são referências incontornáveis da sua filmografia.

Werner Schroeter — falecido a 12 de Abril, cinco dias depois de ter completado 65 anos — foi o cineasta desta emoção e também desta beleza: Isabelle Huppert, em registo trágico por excelência, surgia assim no espantoso "Malina" (1991), filmado a partir do romance homónimo de Ingeborg Bachmann.

Dizer que se trata de uma pulsão eminentemente alemã, eis o que tem tanto de específico como de redutor. Porque, de facto, Schroeter foi um autor em tudo e por tudo ligado às suas raízes geográficas e culturais, mas também o criador de um universo de utópica ambição universal (e universalista): um espaço acolhedor, porventura eminentemente espiritual, onde as razões do amor pudessem, contra tudo e contra todos, ter sempre razão.

Daí também a sua posição paradoxal. Foi, a par de Rainer Werner Fassbinder ou Wim Wenders, uma das bandeiras da renovação do cinema alemão nas décadas de 60/70, mas também o mestre de um universo de luz e sombras que transcendeu referências, modas e estéticas. O emblemático "A Morte de Maria Malibran" (1972), com a lendária Magdalena Montezuma, pode servir de símbolo da sua arte: eminentemente carnal e intransigentemente visionária.


> A Medeia Filmes homenageia o realizador alemão Werner Schroeter. O tributo, no Cinema King, em Lisboa, vai decorrer entre 15 e 21 de Abril, e serão repostas obras significativas do cineasta alemão como "O Rei das Rosas", "Malina" (1991) e o seu último filme, rodado em Portugal, "Esta Noite" (2008). Os filmes serão exibidos em sessões diárias, às 19h15.

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