Sob o signo deChuck Palahniuk

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Sob o signo de
Chuck Palahniuk

Foi em 1999 que o nome de Palahniuk se tornou conhecido, graças à adaptação do seu romance "Clube de Combate", por David Fincher — "Asfixia" prolonga a sua visão paródica e... realista

Provavelmente, daqui a alguns anos, o nome de Chuck Palahniuk será (re)avaliado como uma referência fundamental da passagem do cinema made in USA do séc. XX para o séc. XXI. Porquê? Porque foi ele que escreveu o romance Fight Club/Clube de Combate, em 1999 transformado num filme extraordinário por David Fincher: pelo romance e pelo filme passava o tema nuclear de uma geração de filhos que perdeu o contacto, real e simbólico, com a geração dos respectivos pais, nessa medida vogando num mundo em que tudo passa pelos códigos da violência e as mensagens da publicidade.

O seu romance Choke/Asfixia, agora adaptado ao cinema por Clark Gregg (actor nosso conhecido da série Os Homens do Presidente) é um prolongamento directo das componentes de Clube de Combate, agora em tom assumidamente paródico. Basta dizer que o protagonista, além de se distinguir por um comportamento sexual compulsivo, escolhe o cenário de restaurantes mais ou menos requintados para simular que se engasga, ficando à beira da asfixia, e, desse modo, suscitando a piedade (e o dinheiro...) dos outros clientes.

Com Sam Rockwell, Anjelica Huston e Kelly Macdonald, Asfixia não terá nem a complexidade nem a sofisticação do filme de Fincher, mas não deixa de ser um parente próximo. Em cena está, afinal, o sentimento difuso, mas por vezes muito cruel, de que a cultura urbana esvaziou as relações humanas, gerando seres à deriva no interior dos seus sonhos impossíveis de concretizar — a personagem de Sam Rockwell é um modelo quase burlesco, mas nem por isso menos realista, dessa angústia branda e, também ela, asfixiante.

CHOKE - ASFIXIA

De Clark Gregg
com Kathryn Alexander, Teodorina Bello, Kate Bumberg
Comédia, Drama
92m
M/16
Estados Unidos da América
2009

A opinião de João Lopes

 

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