Spielberg promete ser presidente democrático
Spielberg vai regressar a Cannes com a tarefa de escolher o filme premiado com a Palma de Ouro.

Cannes 2013  

Spielberg promete ser presidente democrático

Numa entrevista à Télérama, o realizador comentou a sua condição de presidente do júri do festival de Canes.

Artigo recomendado:
Spielberg promete ser presidente democrático
Festival
Spielberg preside ao júri do Festival de Cannes Aos 66 anos o realizador assumirá um papel decisivo na 66ª edição do mais prestigiado festival de cinema do mundo.

O diretor e produtor americano Steven Spielberg prometeu que será um presidente de júri "democrático" no próximo Festival de Cinema de Cannes, garantindo que, para ele, todos os filmes "são iguais" antes de serem exibidos.

A declaração surge numa entrevista concedida à revista francesa Télérama, que foi publicada nesta quarta-feira, 1 de maio, quinze dias antes do início do festival de cinema.

À pergunta: "Que tipo de presidente vai ser?" o realizador de "E.T.", "Tubarão" e de "Lincoln" respondeu: "Democrático! Mas deem-me algum tempo: não faço parte de um júri desde o Festival de Avoriaz, em 1976".

Spielberg assegurou que não tem preferência por nenhum tipo de trabalho, popular ou exigente. "Acredito que antes de serem exibidos, todos os filmes são iguais. (...) A cada vez, as intenções são as mesmas, seja Christopher Nolan (que dirigiu vários "Batman" e "A Origem") ou Michael Haneke (diretor de "Amor"), a intenção é expressar o que sente no seu interior".

O realizador ressaltou que o cinema independente "nunca foi tão bem representado", mesmo que as superproduções de Hollywood atraiam o público de forma massificada, porque "as pessoas estão cansadas de ouvir sempre a mesma história".

Steven Spielberg explica que "vê todos os fins-de-semana entre quatro e seis filmes. Eu corro atrás do que perdi durante a semana de trabalho. Então, ver dois filmes por dia em Cannes, vai ser fácil".

O cineasta "prefere a pureza da película, porque tem um tipo de vibração visual que o digital não pode conferir".

"A diferença é praticamente a mesma entre a pintura a óleo e a acrílica", disse, acrescentando: "O que realmente importa é o traço do artista, o seu tema, a sua filosofia, o seu talento".

O 3D é "mais uma ferramenta na caixa de ferramentas, e nada mais", acredita o diretor, que também afirma ter "errado ao alterar digitalmente 'E.T.' há alguns anos". "Foi um erro alterar um trabalho já existente. Não farei isso de novo".

Foi com "E.T." que esteve em Cannes pela primeira vez em 1982. "Ninguém acreditava que poderia ser bem sucedido. O estúdio via-o como um pequeno filme autoral", lembra.

Spielberg, que "nunca abandona um filme pela metade", considera o público "menos paciente porque é solicitado de muitas formas". O realizador "odeia" quando as pessoas, mesmo entendiadas com o filme, enviam mensagens de texto e os ecrãs dos telefones iluminam o ambiente escuro da sala.

 

por

Recomendamos: Veja mais Artigos de Cannes 2013