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Stephen King em versão pouco feliz

O universo de Stephen King está de regresso ao cinema. Entre o início do projecto de "A Torre Negra" e a sua estreia decorreram dez anos — pelo caminho, ter-se-á perdido a própria vitalidade da história que havia para contar...

Stephen King em versão pouco feliz
Matthew McConaughey e Idris Elba — o universo de Stephen King em versão pouco feliz
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 Stephen King em versão pouco feliz
A Torre Negra Há outros mundos para além deste. No filme "A Torre Negra", de Stephen King, a original história de um dos mais conceituados autores mundiais, chega ao grande ecrã. O Pistoleiro Cavaleiro, Roland Deschain (Idris Elba), encontra-se preso numa batalha eterna com Walter O’Dim, também conhecido como o Homem de Negro (Matthew McConaughey), e decidido a impedi-lo de ...

Infelizmente, não há muito a dizer sobre "A Torre Negra", o filme de Nikolaj Arcel baseado na série de livros "The Dark Tower", de Stephen King. Não por falta de motivos sugestivos. Antes porque, como muitos outros produtos que têm ocupado os nossos Verões cinematográficos, também este parece resultar menos do desejo de contar uma história, e mais da repetição de um fogo de artifício tecnológico que, em boa verdade, não está enraizado em nenhum conceito de espectáculo.

Podia ser uma bela aventura... A saga do jovem Jake (Tom Taylor), assombrado pelas imagens que povoam os seus sonhos, envolve a insólita e perturbante passagem para uma outra dimensão em que se digladiam as forças do Bem, personalizadas por Roland (Idris Elba) e o inquietante "Homem de Negro" (Matthew McConaughey)...

Digamos que tais elementos ocupam o tradicional tempo de exposição (talvez o primeiro quarto de hora do filme) para, depois, tudo se desmoronar. Não só a aplicação feérica (?) dos efeitos mais ou menos luminosos repete, de forma anódina, soluções de outros filmes como, a partir de certa altura, parece que já ninguém se preocupa com qualquer consistência narrativa.

"A Torre Negra" sofre, muito provavelmente, os efeitos de uma agitada pré-produção, iniciada em 2007 — J. J. Abrams e Ron Howard chegaram mesmo a ser hipóteses para dirigir o filme. Seja como for, os resultados práticos são um exemplo sintomático de um modo de fabricação em que o endeusamento das soluções técnicas implica um manifesto desinteresse pela velha arte de contar uma história... E quando isso acontece, nenhum departamento de efeitos especiais consegue solucionar o que quer que seja.

Crítica de João Lopes
publicado 23:37 - 19 agosto '17

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