Tragédia no alto mar
Um homem, um barco e o oceano: "All Is Lost" conta uma invulgar história de resistência

Cannes, dia 8: ALL IS LOST, J.C. Chandor  

Tragédia no alto mar

"All Is Lost" é um filme de um único actor: Robert Redford interpreta um homem à deriva, nas águas do Índico. J. C. Chandor, o cineasta de "O Dia Antes do Fim", assina esta invulgar realização.

Foi uma quarta-feira paradoxal. Assim como "Only God Forgives", de Nicolas Winding Refn, pareceu para muitos não justificar a sua inclusão na secção competitiva, assim também "All Is Lost", de J. C. Chandor, deixou uma interrogação desconcertante: não será que este era um dos filmes fora de competição que merecia uma oportunidade de concorrer para a Palma de Ouro?

Estamos perante um objecto de desconcertante simplicidade. Ou melhor: linearidade. Na verdade, que acontece em "All Is Lost"? Há um homem que anda num barco, algures nas águas solitárias do Índico; o barco é abalroado por um contentor à deriva... e ele tem que lutar contra os elementos para garantir a sobrevivência.

Chandor, curiosamente, tinha já realizado um filme bem diferente: "O Dia Antes do Fim" (2011), sobre os primórdios da crise financeira de 2008. O certo é que ele parece capaz de pegar nos projectos mais insólitos, empresta-lhes uma peculiar energia dramática, tendencialmente trágica.

No caso de "All Is Lost", Robert Redford, único actor do filme, pode simbolizar a singularidade do empreendimento. Por ele passam, afinal, as emoções de uma situação de extrema tensão e desespero, num registo em que o cinema se transfigura em bisturi do comportamento humano. E, sobretudo, da sua capacidade de resistir para além do próprio racionalismo que o conduz.

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publicado 00:30 - 23 maio '13

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