Turquia, 2008: na intimidade
Uma aposta ganha: refazer as componentes do melodrama clássico,
agora com câmaras digitais

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Turquia, 2008: na intimidade

Um belo e desencantado melodrama com assinatura do mais internacional dos autores turcos: Nuri Bilge Ceylan

Para que servem as histórias que os filmes contam? Pois bem, para conhecermos como vivem os outros. É uma velha máxima da expressão cinematográfica e, tanto no documentário como na ficção, continua a fazer sentido.

Distinguido com o prémio de realização em Cannes/2008, "Os Três Macacos" é um belo exemplo dessa vocação. Que é como quem diz: um melodrama de desencantado negrume que nos traça o mapa interior de uma família, algures na Turquia, à beira da decomposição afectiva e moral.

Nuri Bilge Ceylan, sem dúvida o cineasta turco com presença mais importante nos circuitos internacionais — lembremos o excelente "Climas" (2006), também estreado entre nós —, filma as suas personagens como se as observasse prisioneiras de um labirinto por elas própria construído. Trata-se de um dispositivo que transforma os mais pequenos gestos em inquietantes premonições.

Este é um cinema que sabe revalorizar as componentes psicológicas, ao mesmo tempo tirando o máximo partido das câmaras digitais de alta definição — a provar que os avanços tecnológicos podem integrar, com resultados eloquentes, matrizes narrativas provenientes do mais nobre património clássico.

Ouça a crítica de João Lopes

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