UM CASO DE VIDA OU DE MORTE (1946)
Kim Hunter face a David Niven — o amor para além da morte

DVD Memória  

UM CASO DE VIDA OU DE MORTE (1946)

Michael Powell e Emeric Pressburger formaram uma dupla essencial na história do cinema clássico britânico, desafiando os limites de vários géneros tradicionais — com eles, o filme de guerra pode transformar-se numa epopeia transcendental.

Podemos não sentir grande entusiasmo face a um filme como “A Hora Mais Negra”, centrado na acção de Winston Churchill nos primeiros tempos da Segunda Guerra Mundial, mas importa reconhecer que nele encontramos as marcas da velha tradição do cinema de guerra britânico. Não se julgue, porém, que tal tradição se esgota em abordagens mais ou menos realistas. Para o provar, bastará evocarmos esse filme admirável que é "Um Caso de Vida ou de Morte" [título original: "A Matter of Life and Death"].

Produzido em 1946, estamos perante um exemplo admirável da energia criativa de uma dupla de realizadores sem a qual não é possível compreender o cinema britânico e, em boa verdade, todo o cinema europeu das décadas de 1940/1950 — Michael Powell e Emeric Pressburger.


Kim Hunter interpreta uma assistente da rádio da Força Aérea britânica, David Niven um piloto que vai ter de saltar do seu avião em chamas, mas que não tem pára-quedas.... A sua odisseia transfigura-se em tragédia, mas não definitivamente. Porquê? Porque o piloto que se despenhou vai discutir com as forças celestiais o seu direito a não morrer, a viver a vida que lhe foi bruscamente retirada — é mesmo "um caso de vida ou de morte".

Eis um objecto cinematográfico que consegue esse efeito mágico que consiste em ser um filme sobre a guerra, os dramas e feridas da guerra, e ao mesmo tempo uma epopeia romântica sobre o poder transcendental do amor — essa ambivalência constitui mesmo uma das marcas viscerais do universo de Michael Powell e Emeric Pressburger.

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publicado 16:52 - 23 março '18

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