Um aprendiz de padrinho
O estreante Tahar Rahim no papel de Malik, um jovem criminoso árabe

Mais CinemaMais CinemaCinema Europeu  

Um aprendiz de padrinho

Eis o perfil do novo mafioso europeu: é árabe, fala italiano e francês, cresceu na prisão e não apresenta pedigree.

Como figurar a máfia no cinema? A questão impõe-se em função de um filme como "Un Prophète", de Jacques Audiard, a primeira produção francesa exibida na selecção oficial do festival de Cannes.

O profeta do título é um jovem delinquente de origem árabe que cresce numa prisão onde é protegido por um chefe do braço corso da máfia. A longa aprendizagem permite-lhe trilhar um caminho próprio e estabelecer as ligações no submundo do crime - dentro e fora da prisão, durante as saídas precárias - que são determinantes para assumir a liderança.

O novo padrinho é árabe, estabelece pontes entre a máfia e outros grupos do crime organizado que operam na Europa, não tem pedigree - isto é, antecendentes familiares - nem o respectivo código.

"Un Prophète" contraria o perfil institucional do padrinho que tem sido representado a partir da saga de Coppola e dos filmes de Scorsese. E transfere a geografia do crime organizado para o sul da Europa, banhado pelo mediterrâneo, onde se movimentam os imigrantes árabes e africanos. 

Estamos perante um filme que faz a anatomia da construção do poder mafioso e que oferece outros possibilidades narrativas ao cinema do género.
 

por

Recomendamos: Veja mais Artigos de Mais CinemaMais CinemaCinema Europeu