Um autor clandestino com o cinema na alma
Simone e o candelabro: um filme que investe nos valores de produção e numa banda sonora ambiental

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Um autor clandestino com o cinema na alma

Pedro Janela compôs a banda sonora original do filme de Vicente Alves do Ó.

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Miguel Soares entrevista Pedro Janela autor da música de "15 Pontos na Alma"

O compositor assume desde logo ao Cinemax: "Não fui a primeira escolha". O realizador tinha feito uma experiência, mas não ficara satisfeito com o resultado. Terá sido obra do acaso ter reparado num CD de "Casino Royal" em destaque na loja de discos. Ouviu, gostou. Passado pouco tempo convidava Pedro Janela a trabalhar na banda-sonora de "15 Pontos na Alma".
 
O músico na primeira pessoa: "A montagem sofreu algumas alterações de pormenor, mas o essencial já estava pronto. Para mim, do ponto de vista técnico, foi uma rotina nova", um desafio. Janela foi obrigado a estudar vários processos até porque se classifica como "um outsider nesta indústria do cinema", apesar de ser um ávido consumidor de filmes. Não espanta. O trabalho que já desenvolvia na música pop é uma prova disso.

O projecto Casino Royal é inspirado no imaginário estético da Riviera Francesa (alô 007!) e no glamour da Dolce Vita (a la compositores italianos). É esse o universo que de alguma forma é transposto para o filme de Vicente Alves do Ó.

O tema principal, "Simone e a Alma", leva-nos para paragens próximas, mas também nos conduz ao imaginário da dupla Danny Elfman/Tim Burton, da qual Pedro Janela é um profundo admirador. O actor Ivo Canelas (Mário, o fotógrafo) ouviu também resquícios de filmes da Disney, revela o próprio compositor. Janela admite que no seu trabalho transparecem as "influências que sofremos com o que vemos e ouvimos".

O maior desafio nem foi propriamente o da composição. Pedro Janela reconhece que o facto de não haver orçamento para trabalhar com uma orquestra foi o maior obstáculo e dor de cabeça.

Obrigou-o a isolar-se durante cerca de dois meses para "enganar as pessoas" (risos)! Toda a manipulação dos timbres de orquestra e dos sons electrónicos foi feita em computador pelo próprio músico. Uma tarefa árdua, mas recompensadora.

Biopic de Florbela Espanca prolonga parceria entre Pedro Janela e Vicente Alves do Ó
Foi chamado a escrever a banda-sonora da mini-série "República" de Jorge Paixão da Costa e de um documentário de Margarida Leitão. O próprio Vicente Alves do Ó já renovou o convite para trabalharem em conjunto. Pedro Janela está a concentrar-se nesta altura no filme sobre Florbela Espanca que deverá estrear ainda este ano.

A rodagem arranca nos próximos dias. "É um filme de época e eu já estou mais condicionado do ponto de vista dos timbres, o que é também um desafio.

Já o tinha sido na "República". Este espartilho temporal vai obrigar Pedro Janela a alguma pesquisa, embora "o Vicente não tenha" – revela o músico – "a preocupação de fazermos uma coisa à la compositores da época".

Até porque, "já na altura, a linguagem era muito avant-guarde". Vivia-se um período "em que a orquestra romântica estava alargadíssima". Eram usados quase todos "os timbres que se usam hoje nos ambientes dos filmes de Hollywood". De facto, a influência dos compositores desse período em muitas das bandas-sonoras actuais é notória.

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