Um caso de coragem no cinema português

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Um caso de coragem no cinema português

Telmo Martins realizou um filme contornando os apoios e subsídios estatais. O resultado está longe de ser brilhante mas é um acto arrojado.

"Um Funeral à Chuva" conta a história de um grupo de amigos que se encontra 10 anos depois dos tempos da faculdade. A morte de um deles, é o motivo que os leva de volta à Covilhã, cidade onde foram estudantes e felizes.

O mote encontrado por Telmo Martins para o argumento faz lembrar os 'Amigos de Alex', e toda uma legião de cópias que se seguiram, do grupo de amigos que volta a juntar-se em torno de uma morte. Mas a intenção foi a de provocar emoções diferente e cativar a fatia de público que passou pela faculdade, pelas festas e praxes de caloiros.

A cidade da Covilhã foi também o cenário natural para receber o elenco convidado a participar no filme, sem receber remuneração - ainda assim surge uma ou outra cara mais conhecida, como Pedro Górgia ou Alexandre da Silva. Também a equipa técnica, que se dividiu entre profissionais e estudantes do curso de cinema, aceitou trabalhar sem receber. Todos vão dividir os eventuais lucros da exibição do filme.

Os meios para começar o filme foram garantidos pela empresa de Telmo Martins, a Lobby Productions, que juntou financiamento para as viagens da equipa. Depois passou pela boa vontade de empresas locais e não só, que disponibilizaram material e ofereceram estadias.

"Um funeral à chuva" resulta, essencialmente, de uma atitude corajosa, e de uma equipa que arrisca, mas sofre de algumas questões técnicas menos apuradas, como a montagem e o som. É um filme à procura de público, sem constrangimentos em assumir um lado comercial, e talvez esse arrojo lhe tenha valido a distribuição em vinte salas de cinema pela mão da Lusomundo.

> Ouça antevisão de Lara Marques Pereira

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