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Um cineasta das relações amorosas

Christophe Honoré é um dos mais legítimos herdeiros de mestres do cinema francês como Renoir ou Truffaut: em "Agradar, Amar e Correr Depressa", ele conta uma história de amor marcada pela sida.

Um cineasta das relações amorosas
Christophe Honoré com os seus dois actores principais: Vincent Lacoste e Pierre Deladonchamps
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 Um cineasta das relações amorosas
Agradar, Amar e Correr Depressa Arthur tem 20 anos e é estudante em Rennes. A sua vida muda quando conhece Jacques, um escritor que vive em Paris com o seu jovem filho. Durante um Verão, Arthur e Jacques vão amar-se e divertir-se. Mas Jacques sabe que este amor tem de ser vivido rapidamente. Vivo e incisivo, entre a leveza e a graça e uma enorme profundidade emocional, este é considerado o mais belo filme de Honoré desde ...

Mesmo nos seus momentos mais "ligeiros", mais ou menos enredados com canções românticas — lembremos o exemplo modelar de "As Canções de Amor" (2007) —, Christophé Honoré sempre foi um retratista das atribulações amorosas. Por vezes, tal predisposição condu-lo a um confronto directo com o silêncio da morte.

Descubra-se "Agradar, Amar e Correr Depressa", momento admirável da sua trajectória criativa, e tanto mais quanto estamos perante um filme que arrisca lidar com a sida, muito para além de qualquer visão normativa. Tudo se passa em 1993, envolvendo a relação amorosa de Jacques e Arthur, interpretados, respectivamente, por Pierre Deladonchamps e Vincent Lacoste.

Uma maneira sugestiva de definir o que aqui acontece será (re)lembrar o facto de Honoré pertencer a uma árvore genealógica do cinema francês que nos conduz às memórias de François Truffaut (1932-1984) e, através dele, a Jean Renoir (1894-1979). Dito de outro modo: este é um cinema da mais pura vibração emocional e também, por isso mesmo, de celebração da intensidade dos actores.

Por uma vez, estamos perante uma construção fílmica em que a sida não é um "tema" que afunila a narrativa em qualquer dispositivo moral ou moralista. Trata-se, afinal, de colocar em cena a pluralidade interior das relações entre pessoas vivas, fascinantes e contraditórias, isto é, integrar tudo o que vai da verdade primordial dos desejos até à percepção social da doença. Enfim, nada de super-heróis — o melhor efeito especial é sempre o factor humano.

Crítica de João Lopes
publicado 23:36 - 10 maio '19

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