Um cineasta francês filma um índio do séc. XX
Benicio del Toro e Mathieu Amalric dirigidos por Arnaud Desplechin: um drama do pós-Segunda Guerra Mundial

Cannes, dia 4: JIMMY PICARD  

Um cineasta francês filma um índio do séc. XX

O francês Arnaud Desplechin está na competição de Cannes com um filme rodado nos EUA: "Jimmy P." retrata o caso verídico de um índio fortemente traumatizado pela sua experiência de combate na Segunda Guerra Mundial.

Trailer/Cartaz/Sinopse:
 Um cineasta francês filma um índio do séc. XX
Jimmy Picard (Psycotherapty Of Plain India) Após a Segunda Guerra Mundial, Jimmy Picard, um Índio Blackfoot que combateu em França, é admitido no hospital militar de Topeka, no Kansas, uma instituição especializada nas doenças do cérebro. Jimmy Picard sofre de muitos problemas: vertigens, cegueira temporária, perda de audição... Na ausência de causas fisiológicas, o diagnóstico é a esquizofrenia. No entanto, a direção do hospital decide ...

De vez em quando, há mesmo surpresas. Até num festival onde, por princípio, estamos mais disponíveis para deparar com experiências mais ou menos insólitas e heterodoxas. Aconteceu agora com Arnaud Desplechin, autor de filmes como "Reis e Rainha" (2004) ou "Um Conto de Natal" (2008) que associamos a uma certa energia romanesca, mais ou menos próxima da tradição melodramática francesa.

Pois bem, Desplechin foi aos EUA fazer "Jimmy P.", um filme que se baseia na história verídica da personagem do título, Jimmy Picard, e do médico psicanalista, Georges Devereux, que acompanhou o seu caso psicológico inicialmente classificado como "esquizofrenia". Aliás, o subtítulo, "Psicoterapia de um Índio da Planície", corresponde à obra que Devereux escreveu sobre a sua experiência com Picard.

Picard veio da Segunda Guerra Mundial afectado por problemas de comunicação e persistentes dores de cabeça. A sua condição de índio (Blackfoot) fez com que, em certas situações, fosse tratado menos como um caso humano e mais como uma "curiosidade" médica. Devereux, justamente, soube ultrapassar essa visão, criando com ele uma relação muito rica e complexa.

Contando com excelentes interpretações de Benicio del Toro (Jimmy) e Mathieu Amalric (Devereux), Desplechin faz um filme de desconcertante intimismo em que, a pouco e pouco, vamos assistindo à decomposição de algumas ilusões do "American Dream", não sem que isso integre também uma visão apaixonada da energia da nação americana. Digamos que Desplechin é um cinéfilo, amante do grande cinema clássico de Hollywood, que agora foi aos EUA assinar um filme que descende, em linha directa, da dimensão humanista desse cinema.

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publicado 01:03 - 19 maio '13

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