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Um estranho conto moral

Foi em 1973, num assalto em Estocolmo, que surgiu o conceito de "Síndrome de Estocolmo" para designar a estranha cumplicidade afectiva entre assaltantes e reféns — o filme de Robert Budreau revisita as memórias desse drama.

Um estranho conto moral
Noomi Rapace e Ethan Hawke — do roubo à cumplicidade afectiva
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Todos conhecemos os exemplos de títulos portugueses que, em nome de uma bizarra liberdade (?) de interpretação, adulteram os originais, não poucas vezes num sentido involuntariamente caricatural. Não aconteceu assim com "Stockholm", coprodução Canadá/EUA realizada pelo canadiano Robert Budreau.

Como diz o título português, trata-se de dar conta do "Síndrome de Estocolmo", essa situação perturbante em que, num assalto, se vai gerando uma inusitada cumplicidade afectiva entre assaltantes e reféns. Aliás, trata-se mesmo de regressar às origens, recordando o assalto a um banco (1973, em Estocolmo) em que tal conjuntura psicológica foi detectada e analisada.


A maior virtude do filme de Budreau decorre, afinal, da sua fidelidade a um modelo de "thriller" eminentemente clássico. Em vez de uma "ilustração" generalista de um conceito (que, entretanto, deu entrada na medicina e na sociologia), deparamos com uma narrativa em que a acção se alicerça, antes do mais, nas singularidades das personagens.

Não admira, por isso, que os resultados dependam tanto da performance dos actores, com inevitável destaque para Ethan Hawke (compondo um esfuziante líder dos assaltantes) e Noomi Rapace (uma das empregadas do banco que permanece como refém). Por eles passa o essencial deste estranho conto moral — em cena estão as contradições que podem nascer entre a ordem social e a natureza humana.

Crítica de João Lopes
publicado 18:40 - 11 agosto '19

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