Estreias  

Um policial que merece ser descoberto

Na dupla condição de intérprete e produtor, Bryan Cranston surge em destaque no drama policial "O Infiltrado" — com direcção de Brad Furman, nele se evoca a investigação que permitiu desmantelar o cartel de droga de Pablo Escobar.

Um policial que merece ser descoberto
Bryan Cranston e John Leguizamo — a história da desmontagem do cartel de Pablo Escobar
Crítica de
Subscrição das suas críticas
135
Trailer/Cartaz/Sinopse:
 Um policial que merece ser descoberto
Infiltrado Durante a década de 80, o Agente Especial Robert Mazur (Bryan Cranston) infiltra-se num dos maiores cartéis do mundo, sob o disfarce de Robert Musella e torna-se próximo dos grandes senhores da droga, descobrindo os banqueiros que permitem que eles triunfassem. Mazur acaba assim por ficar sob a proteção e confiança daqueles que tinha prometido destruir nesse mundo de violência e corrupção. O ...

Passámos a ter um mercado cinematográfico dividido em duas zonas muito marcadas, dir-se-ia incomunicáveis: de um lado, as produções mais ou menos juvenis, sempre apoiadas por enormes e ruidosas campanhas; do outro, os "pequenos" títulos de menores recursos, quase sempre de origem europeia... Mas há mais: fica por saber se nesse contexto comercial tão crispado ainda há lugar para filmes "médios" como "O Infiltrado"?

Como muitas vezes acontece, tais filmes nem sequer parecem poder desfrutar dos seus evidentes trunfos comerciais. Convenhamos que no caso de "O Infiltrado" tais trunfos não serão indiferentes: esta é a história da investigação policial que, em meados dos anos 80, levaria ao fim do cartel de droga de Pablo Escobar, para mais protagonizada pelo popularíssimo Bryan Cranston (o protagonista da série "Breaking Bad"), assumindo também funções de co-produtor.

Cranston interpreta a personagem verídica de Robert Mazur, agente especial do governo americano que, assumindo uma identidade fictícia ("Bob Musella"), consegue infiltrar-se na organização de Escobar, descobrindo as suas relações com o BCCI (Bank of Credit and Commerce International). Mais do que um drama policial, trata-se de um retrato de paradoxal intimismo, com Mazur a viver uma perigosa odisseia que, em última instância, pode ameaçar a sua própria família.

A realização de Brad Furman tem a enorme vantagem de não ceder a efeitos fáceis ou artifícios retóricos, optando antes por concentrar-se nos efeitos emocionais que o trabalho de Mazur vai gerando em si próprio e naqueles que, de alguma maneira, lhe são próximos. Daí a energia das interpretações, não só de Cranston, mas de toda uma galeria de secundários em que é forçoso destacar John Leguizamo e Diane Kruger, assumindo as figuras dos mais próximos colaboradores de Mazur. Em resumo: um filme cuja competência dramática e solidez narrativa não merecem ser "esquecidas" pelas lógicas comerciais da quadra natalícia.

Crítica de João Lopes
publicado 23:42 - 17 dezembro '16

Recomendamos: Veja mais Críticas de João Lopes