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Um sequela pouco incrível

A Pixar continua a tentar rentabilizar as principais referências do seu catálogo: catorze anos depois do primeiro "Incredibles", aí está a sequela, tão tecnicamente competente quanto espectacularmente monótona.

Um sequela pouco incrível
Mr. Incredible, Elastigirl, Dash, Violet e, no carrinho, o irresistível Jack-Jack
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Trailer/Cartaz/Sinopse:
 Um sequela pouco incrível
The Incredibles 2: Os Super-Heróis Helena é chamada para liderar uma campanha que irá trazer os Super-Heróis de volta, enquanto Beto se encontra em casa a tratar das tarefas normais do dia a dia, quando aparece um novo vilão com um brilhante e perigoso plano, que apenas Os Incríveis poderão ultrapassar juntos.

Já conhecíamos os penosos efeitos de repetição que têm assombrado as produções centradas em super-heróis... Com raras e honrosas excepções. Dir-se-ia que a saturação está também a chegar à área da animação e, em particular, à Pixar (agora integrando o império Disney) — na sua sofisticada execução técnica, o novo "The Incredibles 2: Os Super-Heróis" surge como um claro sintoma desse problema.

Escusado será insistir no papel renovador que a Pixar desempenhou, desde os tempos heróicos do primeiro "Toy Story", já lá vão 23 anos — é verdade, foi em 1995 que surgiu esssa que é a primeira longa-metragem de animação totalmente digital. Acontece que, chegados a este novo filme (sequela de um primeiro "Incredibles", lançado em 2004), podemos perguntar se a invenção não deu lugar à formatação.

Que acontece, então? O casal Parr — aliás, Mr. Incredible e Elastigirl — enfrentam uma nova crise: por um lado, os super-heróis continuam a ter as suas actividades interditas pela lei; por outro lado, as ameaças continuam a proliferar e a família não abdica de... salvar o mundo!

Parece uma "intriga" de um banal filme de super-heróis... E se é verdade que os primeiros minutos de "Incredible 2" tentam definir as personagens com algum cuidado, não é menos verdade que, a pouco e pouco, o filme se vai submetendo à obrigação (?) de acumular cenas mais ou menos agitadas e ruidosas, de humor algo repetitivo, que se vão reduzindo a banais números de circo.

O trabalho das vozes é meritório, em particular Holly Hunter e Samuel L. Jackson, respectivamente como Elastigirl e Frozone. E não há dúvida que o bebé Jack-Jack, com os seus inusitados super-poderes (incluindo a capacidade de pegar fogo quando se irrita...), consegue ajudar a construir alguns momentos genuinamente burlescos.


Seja como for, prevalece a sensação de que o catálogo da Pixar vive de esquemáticas repetições dos mesmos modelos, como se se tentasse rentabilizar um conceito de espectáculo em que já ninguém acredita — veja-se ou reveja-se o primeiro "Incredibles" (Brad Bird dirigiu os dois) e descubram-se as diferenças. Tudo se passa um pouco como com os grupos de "covers" dos Beatles (ou outras bandas míticas): começamos por reconhecer algumas encantadas memórias, mas ainda antes de terminada a primeira canção compreendemos que aquilo não é the real thing.

Uma nota, enfim, para destacar o melhor do programa: a curta "Bao", dirigida por Domme Shi — uma pequena parábola, tão surreal quanto terna, sobre a vida atribulada de um bolinho de massa chinesa...

Crítica de João Lopes actualizado às 19:31 - 29 junho '18
publicado 19:25 - 29 junho '18

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