Uma farsa digital sobre a política
Alain Cavalier, à esquerda (com Vincent Lindo ao centro): nos bastidores da política

"Pater", de Alain Cavalier  

Uma farsa digital sobre a política

Alain Cavalier, velho mestre do cinema francês, continua fascinado pelas câmaras digitais: agora, graças a elas, apresenta "Pater", uma "quase" reportagem sobre a verdade e a mentira.

Trailer/Cartaz/Sinopse:
 Uma farsa digital sobre a política
Pater Entre a realidade e a ficção, o seu mundo e o imaginário. Dois amigos a beberem num bar. A imaginarem que filme poderiam realizar juntos. Filmam-se disfarçados de homens poderosos. As suas histórias pessoais cruzadas com uma história simples. Assim é este filme, em que Alain Cavalier e Vincent Lindon percorrem as mais diversas situações que os colocam na verdadeira fronteira do cinema: é ou não ...
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O francês Alain Cavalier ganhou o prémio do júri de Cannes, em 1986, com "Thérèse", belíssimo filme sobre Sta. Teresa de Lisieux. Vindo da geração da Nova Vaga, sempre se manteve como uma figura mais ou menos marginal, alheia a tendências, movimentos e modas.

Em tempos mais recentes, Cavalier tem cultivado um especial fascínio pelas novas câmaras digitais, explorando um cinema na primeira pessoa, por vezes evocando acontecimentos mais ou menos dolorosos da sua existência (lembremos o caso modelar de "Irène", rodado em 2009).

Agora, está de novo em Cannes com "Pater", mais um filme desconcertantemente "amador" e subtilmente actual.

Que faz, então, Cavalier? Pois bem, convoca o seu amigo Vincent Lindon, actor, para com ele viver/representar uma espécie de reportagem a dois, sustentada por várias câmaras digitais. No início, parece uma simples reunião de amigos, motivada pela partilha de gostos comuns (gastronómicos, antes do mais). Depois, a pouco e pouco, o filme vai adquirindo um tom de deliciosa farsa.

Assim, Cavalier apresenta-se como protagonista de uma ficção em que assume a personagem do Presidente da República francesa... Lindon é o seu primeiro-ministro, ambos fazendo cálculos e especulações sobre o fim do mandato do primeiro e as eleições que se aproximam.

O filme não procura imitar ninguém, mas é óbvio que, sobretudo para um cidadão francês, envolve sugestões indissociáveis da época Sarkozy. No limite, "Pater" propõe um jogo lúdico com os bastidores do poder, afinal discutindo a verdade e a mentira das imagens dos próprios políticos.

Pequeno nos meios, é um grande objecto de cinema, capaz de nos levar a pensar e repensar o que vemos e ouvimos.

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publicado 23:48 - 17 maio '11

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