Uma mini-série que também é um filme
Edgar Ramirez em "Carlos": entre cinema e televisão

Festival  

Uma mini-série que também é um filme

Uma revelação no Indie Lisboa: "Carlos", de Olivier Assayas, retraça alguns capítulos da história do terrorismo, ao mesmo tempo que (re)pensa as relações entre produção cinematográfica e televisiva.

Será, por certo, um dos acontecimentos marcantes no Indie Lisboa: a passagem de "Carlos", de Olivier Assayas, um filme que, desde a sua apresentação no Festival de Cannes de 2010, está a marcar muito da actualidade artística, simbólica e comercial do cinema.

Porquê? Antes do mais, por razões especificamente cinematográficas: este é um impressionante retrato de uma das figuras mais inquietantes, e também mais lendárias, da história do terrorismo no século XX. Acima de tudo, Assayas conseguiu contextualizar a sua personagem central sem nunca perder uma relação muito íntima, dir-se-ia carnal, com a sua identidade. Ponto fundamental em tal processo: a extraordinária composição de Edgar Ramirez, confrontando-nos com um "Carlos" multifacetado, sempre à flor da pele.

Mas "Carlos" é também um produto televisivo. Aliás, a lógica é inversa: começou por ser uma mini-série, acabando por chegar à distribuição cinematográfica (numa versão condensada). Na prática, isto significa que emerge, aqui, uma visão dialéctica das relaçõescinema/televisão, aberta às mais diversas formas e formatos.

Há ainda outra maneira de dizer isto: a ficção em televisão não tem que viver na dependência das mediocridades do Império da Telenovela. É uma lição, de uma só vez artística e comercial, que valeria a pena repensar em alguns contextos, nomeadamente da Europa. Onde? O espectador poderá olhar à sua volta e reformular a pergunta.

por
publicado 10:22 - 05 maio '11

Recomendamos: Veja mais Artigos de Festival