Uma revelação que vem da Austrália
"Sleeping Beauty": para reavaliar as relações humanas

"Sleeping Beauty", de Julia Leigh  

Uma revelação que vem da Austrália

"Sleeping Beauty", da australiana Julia Leigh, deu o sinal de partida para a competição de Cannes: uma perturbante parábola moral e também a revelação de uma verdadeira cineasta.

Trailer/Cartaz/Sinopse:
 Uma revelação que vem da Austrália
Sleeping Beauty Lucy (Emily Browning) é uma jovem universitária que, para ganhar algum dinheiro, se vê enredada num misteriosa rede de belas adormecidas, onde impera, claro, a beleza e o desejo. Ela adormece, acorda… sempre com a sensação de que nada se passou. Uma história carregada de erotismo e sensualidade.

Que esperar de uma distinção como a Câmara de Ouro, destinada ao "melhor primeiro filme" de todas as secções do festival? Pois bem, que seja o reflexo de uma verdadeira estratégia de abertura a novos nomes. E essa tem sido, de facto, uma tradição de Cannes, inclusivamente na competição oficial: revelar autores.

O caso de "Sleeping Beauty" é tanto mais interessante quanto contraria a associação automática do valor da "revelação" ao conceito de "juventude". A realizadora, a australiana Julia Leigh, nasceu em 1970 e tem já uma carreira reconhecida como escritora (através de dois romances: "The Hunter" e "Disquiet").

E o menos que se pode dizer é que Leigh se estreia de forma fulgurante: contando a história assombrada de uma jovem que vende o seu corpo para determinados "serviços" sexuais, Leigh faz um filme de exaltação do feminino que tem tanto de desencantada observação como de perturbante parábola moral.

Provavelmente, este vai ser um festival em que, face às muitas crises de valores em que vivemos, a reavaliação das relações humanas surgirá como um tema transversal. O trabalho de Julia Leigh fica, desde já, como um momento exemplar de tal universo. Ou seja: a secção competitiva de Cannes 2011 começou em alta.

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publicado 23:14 - 11 maio '11

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