Uma vampira de 12 anos
Lina Leandersson e Kåre Hedebrant: os novos vampiros chegam da Suécia

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Uma vampira de 12 anos

Depois de "Crepúsculo", "Deixa-me Entrar" mostra que, de facto, os filmes de vampiros estão a mudar: os seus heróis são cada vez mais jovens

Como é que comunicam um rapaz e uma rapariga de 12 anos?

A pergunta, por si só, define uma questão social e psicológica, porventura familiar, que se pode transformar numa interrogação dramatúrgica — no interior de um filme, por exemplo. "Deixa-me Entrar", produção sueca dirigida por Tomas Alfredson, é um filme construído a partir de tal pergunta. Com um pormenor que não é propriamente banal: ela é uma vampira.

Na prática, poucos meses depois de "Crepúsculo", de Catherine Hardwicke, percebemos que o género de vampiros está a atravessar um desconcertante (e muito interessante) processo de "rejuvenescimento". Como se aqueles que se alimentam de sangue se tornassem mais verosímeis quando são mais... jovens.

Nesta perspectiva, "Deixa-me Entrar" vem provar que a reconversão das formas de abordagem das personagens, mesmo integrando sinais eminentemente realistas, pode passar por derivações mais ou menos fantásticas.

"Deixa-me Entrar" consegue ser duas coisas, porventura estranhas entre si, mas ironicamente complementares: por um lado, trata-se de um sintoma de uma clara renovação estilística do género de vampiros; por outro lado, consegue fazer-nos sentir a necessidade de superar os muitos estereótipos que, tantas, sobretudo nas ficções de raiz televisiva, condicionam as personagens mais jovens.



DEIXA-ME ENTRAR

De
Tomas Alfredson
com Kare Hedebrant, Lina Leandersson, Per Ragnar
Drama, Thriller
114m
M/16
SUÉCIA
2009
                     
                  
          
Ouça a crítica de João Lopes




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