Uma viagem cinematográfica única
A natureza é primordial no cinema de Terence Malick

"A Árvore da Vida", de Terence Malick  

Uma viagem cinematográfica única

Terence Malick regressa com uma experiência sensorial, espiritualmente intima e poética pelo universo infinito.

Trailer/Cartaz/Sinopse:
 Uma viagem cinematográfica única
A Árvore da Vida Na década de 50, Jack (Sean Penn), cresce dividido entre um pai autoritário e uma mãe terna e generosa. Assim que nascem os seus dois irmãos, esse amor incondicional, só seu, tem que ser dividido. Jack terá que aprender também a lidar com o comportamento de um pai que vive obcecado pelo sucesso dos filhos de uma forma muito pouco saudável. Este equilíbrio frágil é um dia perturbado por um ...

Afinal quem somos nós? De onde viemos? Para onde vamos? Qual é o significado da vida? Como devemos responder a estas questões? E teremos tempo e espaço de reflexão para o fazer?

O primeiro grande mérito de "A Árvore da Vida" é mesmo esse! Dar-nos o espaço para pensar em nós e na nossa relação com o universo. Sim, o filme é sobre a matéria de que somos feitos, da energia que emanamos e recebemos do espaço.

É verdade que Terrence Malick criou uma obra prima que ultrapassa a pura dimensão artística do cinema. Por essa razão, o desempenho dos atores é substituído várias vezes pela representação da natureza que os rodeia, seja o céu azul e os ramos das árvores, seja a dimensão arquitectónica dos arranha céus.

Um pai , uma mãe e um filho. Eles são a carne e o espírito de um território em que se intersectam o amor, a sobrevivência, o egocentrismo, a humildade, a vergonha, a maldade. Percebemos que vivem no Midwest norte-americano, nos anos 50 do século passado. Mas o que sentem, exprimem, experimentam é universal. A absorção disso tudo, cria no filho, quando chega à idade adulta, um vazio existencial, impossível de preencher, talvez porque as emoções são incapazes de se transformar em palavras.

Terrence Malick convida-nos um pouco após o início do filme, para uma viagem sensorial através do universo, das galáxias, da formação da Terra, do caos, da vida na sua mais básica forma, ao contraste ditado pela evolução até aos nossos antepassados dinossáurios. Serve como uma espécie de reticência antes da narrativa continuar. O "contexto" de tudo, antes de passar outra vez, ao nosso grãozinho de areia.

"A Árvore da Vida" é uma experiência sensorial que desde a primeira imagem Terrence Malick pretende que seja espiritualmente intima. É uma viagem poética pelo universo infinito. Algo que o cinema já não fazia há muito tempo.

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