Uma viagem no tempo com Woody Allen
Owen Wilson e Rachel McAdams: romantismo parisiense

"Midnight in Paris", Woody Allen  

Uma viagem no tempo com Woody Allen

O Festival de Cannes começou bem: o novo filme de Woody Allen, "Midnight in Paris" (extra-competição), traz-nos o seu autor reconciliado com o apelo romântico.

Trailer/Cartaz/Sinopse:
 Uma viagem no tempo com Woody Allen
Meia-noite em Paris Esta é a nova comédia de Woody Allen, que decorre em Paris e conta a história de uma família que viaja até lá em negócios, e de um casal, prestes a casar, que durante a sua estadia vai viver um conjunto de experiências que lhes muda a vida. É ainda a história do amor de um jovem pela cidade de Paris, e da ilusão, que quase todos partilhamos, de que a vida dos outros é sempre melhor do que a ...

Temia-se que Woody Allen nao conseguisse escapar à pequena "maldição" europeia que tem feito com que alguns dos seus filmes mais recentes (ex.: "Vicky Cristina Barcelona") percam em densidade dramática aquilo que vão acumulando como mera deambulação turística...

Pois bem, o mínimo que se pode dizer de "Midnight in Paris" é que o realizador americano decidiu trabalhar sobre o seu próprio fascínio europeu, fazendo um filme simples, mas genuíno, sobre a sedução mitológica da capital da França — escusado será dizer que a escolha de "Midnight in Paris" para a abertura oficial do 64º Festival de Cinema de Cannes constituiu, por isso mesmo, uma escolha feliz.

Centrando-se numa viagem a Paris de um par — Owen Wilson/Rachel McAdams —, o filme conta a história insólita de um argumentista de Hollywood que encara a capital francesa como a eterna materialização de um ancestral ideal romântico. Ela não o acompanha na sua atração e, por isso mesmo, "Midnight in Paris" e a história das suas aventuras mais ou menos solitárias... depois da meia-noite.

O protagonista viaja, assim, para a euforia dos anos 1920/30 e cruza-se, entre outros, com Ernest Hemingway, Gertrud Stein, Salvador Dali e Pablo Picasso. Mais do que "justificar" esta discreta dimensão fantástica, o filme apresenta-a como uma vontade de, através do fulgor do passado, reencontrar alguma verdade contemporânea. Subitamente, reencontramos também um Woody Allen sem cinismo, simples e caloroso.

* MIDNIGHT IN PARIS, de Woody Allen (EUA)

— Seleção oficial / extra-competição

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publicado 17:34 - 11 maio '11

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