Uma visão poéticados Três Reis Magos
Albert Serra propõe um cinema de contemplação e poesia

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Uma visão poética
dos Três Reis Magos

Pelo cineasta de "Honra de Cavalaria", o novo "O Canto dos Pássaros" é uma visão originalíssima de uma das mais velhas histórias que o mundo conhece

Este é um daqueles filmes sobre os quais se costuma dizer que "não contam uma história"... De facto, vale a pena reagir contra tal ideia, quanto mais não seja para lembrar que nele se conta — se volta a contar — uma das mais velhas histórias que a humanidade conhece: a da viagem dos Três Reis Magos na sua demanda pelo lugar de nascimento do Messias.

Acontece que, de facto, "O Canto dos Pássaros" conta essa história de maneira bem diferente dos clichés, em particular os de raiz televisiva. Que é como quem diz: o meramente factual surge transfigurado por um sentimento físico da natureza — aqui, a passagem da sombra de uma nuvem pode ser tão, ou mais, importante do que um diálogo — que, a pouco e pouco, nos sugere a possibilidade de uma outra dimensão. Que dimensão? A do sagrado.

Tal como em "Honra de Cavalaria" (2006), nesse caso trabalhando sobre a lenda de Dom Quixote, o cineasta espanhol Albert Serra propõe um cinema de contemplação e poesia. Somos convocados para uma intimidade formal em que a beleza nasce do sentimento de que o mundo se expõe de forma transparente, ao mesmo tempo que se envolve num labirinto de mistérios.

O hábito manda também que se diga que este é um filme alheio aos padrões correntes de muito cinema e, por isso mesmo, "difícil". Talvez... Mas não mais difícil do que ser todos os dias submetido aos lugares-comuns das telenovelas.





O CANTO DOS PÁSSAROS
De
Albert Serra
com Victòria Aragonés, Lluís Carbó, Mark Peranson
Drama
98m
M/6
ESPANHA
2008


 Ouça a crítica de João Lopes 

   

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