VELVET GOLDMINE (1998)
Jonathan Rhys Meyers: os sons, as cores e as formas do "glam rock"

DVD Memória  

VELVET GOLDMINE (1998)

Os sons e o imaginário do "glam rock" possuem uma fundamental derivação cinematográfica: "Velvet Goldmine" é um exemplo modelar da relação criativa do realizador Todd Haynes com o(s) mundo(s) da música.

Crítica recomendada:
VELVET GOLDMINE (1998)
Estreias
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O mínimo que se pode dizer do universo expressivo de um cineasta como Todd Haynes é que se trata de um domínio de admirável versatilidade. Com o seu novo filme, “Dark Waters”, ele reencontra a tradição liberal do melhor cinema americano. Já o vimos a dirigir sofisticados melodramas, como “Longe do Paraíso” (2002) ou “Carol” (2015), e vimo-lo, em particular, a construir magníficas celebrações de figuras da música rock — Bob Dylan, por exemplo, em “I’m Not There” (2007), ou um símbolo do glam-rock em “Velvet Goldmine”.

Lançado em 1998 no Festival de Cannes, “Velvet Goldmine” evoca uma época de muitos contrastes e, sobretudo, de muitas experimentações musicais incluindo, claro, o lendário, misterioso e fascinante “glam rock”. Brian Eno é um dos que está na banda sonora e, como é óbvio, não poderiam faltar os T. Rex, de Marc Bolan e Tony Visconti.


No centro de “Velvet Goldmine” está a personagem de Brian Slade, figura andrógina que se vai transfigurando em ícone da cultura gay da primeira metade da década de 70. As canções são essenciais, mas o filme de Todd Haynes está longe, muito longe, de ser uma banal “play-list”. O que conta é a verdade visceral da personagem, o seu misto de utopia e revolta que encontra a expressão exemplar na interpretação de Jonathan Rhys Meyers. E tanto mais quanto Jonathan Rhys Meyers também canta — por exemplo, uma canção de Brian Eno, “Baby’s on Fire”.


“Velvet Goldmine” ficou como uma celebração de uma só vez feérica e abstracta do “glam rock”, mas o certo é que estava para ser muito mais concreta. Na verdade, Todd Haynes concebeu a figura de Brian Slade a partir de David Bowie, mais exactamente, da fase em que Bowie se reinventou através da personagem de Ziggy Stardust. Bowie é que não estava para aí virado: leu o guião e não autorizou a utilização das suas canções. Seja como for, ficou o título de uma dessas canções — ou seja, precisamente, “Velvet Goldmine”. O original soava assim.

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publicado 00:12 - 18 janeiro '20

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