Varda: digital e intimista

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Varda: digital e intimista

Uma crónica na primeira pessoa para (re)descobrir o universo criativo daquela que foi a principal personagem feminina dos tempos da Nova Vaga francesa: Agnès Varda

A origem de "As Praias de Agnès" está, em parte, na descoberta prática das pequenas câmaras de video, alguns anos antes, pela cineasta Agnès Varda. Aconteceu com o filme "Os Respigadores e a Respigadora" (2000), uma reportagem-na-primeira-pessoa para cuja concretização foi decisivo o facto de ter uma câmara ligeira e funcional.

Agora, a partir da sua clássica cadeira de realizadora, ela faz um filme que é, de uma só vez, uma tapeçaria de memórias íntimas e uma revisitação da história moderna do cinema francês, em particular dos tempos heróicos da Nova Vaga. Quer isto dizer que As Praias de Agnès é uma prova esclarecedora de que os novos recursos digitais — neste caso, uma câmara de "reportagem" — não têm que estar necessariamente associados às grandes produções e às técnicas de efeitos especiais. Podem mesmo ser um fundamental instrumento de reinvenção dos géneros mais inesperados, incluindo a pura abordagem documental.

NOTA - Como complemento de "As Praias de Agnès", é possível ver uma bela curta-metragem portuguesa. Trata-se de "A Felicidade", de Jorge Silva Melo, um diálogo pleno de emoções contraditórias entre um pai e um filho — o primeiro interpretado pelo cineasta Fernando Lopes, o segundo por Pedro Gil (vale a pena lembrar que "A Felicidade" é também o título de uma belíssima longa-metragem, precisamanete de Agnès Varda, produzida em 1965).





AS PRAIAS DE AGNÈS

De Agnès Varda
com Agnès Varda, André Lubrano, Blaise Fournier
Documentário
110m
M/12
FRANÇA
2008

                   
Ouça a crítica de João Lopes




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