Vem aí o novo Silêncio dos Inocentes?
David O. Russell e Christian Bale: quantos Oscars para "Golpada Americana"?

Hollywood  

Vem aí o novo "Silêncio dos Inocentes"?

Nos Oscars, este é, desde já, um ano de consagração dos actores. O filme "Golpada Americana" consegue mesmo a proeza de estar nomeado nas quatro categorias de interpretação. Mas há mais raridades...

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Foi há oito décadas que o filme "Uma Noite Aconteceu" (1934), de Frank Capra, conseguiu o primeiro quinteto mágico de filmes. Ou seja: triunfar nas categorias de melhor filme e melhor realização, nas duas principais de interpretação (Clark Gable e Claudette Colbert) e ainda numa de argumento (Robert Riskin).

Foi preciso esperar quase quarenta anos para que a proeza se repetisse, com "Voando sobre um Ninho de Cucos" (1975), de Milos Forman (acompanhado por Jack Nicholson, Louise Fletcher e os argumentistas Laurence Haubman e Bo Goldman).

Depois, só mais uma vez se assistiu a tal conjugação de prémios, com "O Silêncio dos Inocentes" (1991), de Jonathan Demme (com os protagonistas Anthony Hopkins e Jodie Foster, mais o argumentista Ted Tally).
 

Há muitos anos em que as nomeações nem sequer conferem esta possibilidade a um único título. Mas este ano volta a acontecer. As dez nomeações de "Golpada Americana" incluem as cinco categorias mais ambicionadas:

> filme
> realização (David O. Russell)
> actor (Christian Bale)
> actriz (Amy Adams)
> argumento original (Eric Singer e David O. Russell)

Aliás, o mesmo filme consegue outra raridade (esta ocorreu 15 vezes ao longo das 85 edições anteriores dos Oscars): a de ter nomeações nas quatro categorias de interpretação. Portanto, incluindo ainda:

> actor secundário (Bradley Cooper)
> actriz secundária (Jennifer Lawrence)

Durante muitos anos, ninguém conseguiu ter essas quatro nomeações, mais precisamente desde "Reds" (1981), de Warren Beatty. Nos últimos dois anos, dois filmes quebraram o enguiço: "Guia para um Final Feliz" e "Golpada Americana". Pormenor admirável: são ambos de David O. Russell.

O certo é que nunca nenhum filme nomeado nas quatro categorias de interpretação conseguiu arrebatar as correspondentes quatro estatuetas douradas. E apenas dois chegaram às três: "Um Eléctrico Chamado Desejo" (1951) e "Network" (1976).

O caso de "Network" envolve uma outra raridade, uma vez que, de facto, tinha cinco nomeações de interpretação: Peter Finch (vencedor) e William Holden concorriam ambos para melhor actor. Detalhe de inusitado dramatismo: o nomeado derrotado de "Um Eléctrico Chamado Desejo" foi... Marlon Brando (ganhou Humphrey Bogart, em "A Rainha Africana"; Brando ganharia três anos mais tarde, com "Há Lodo no Cais").

* * * * *

São memórias e estatísticas que nos levam a sublinhar uma evidência não muito na moda: este é, realmente, um ano de extraordinária consagração de actores e actrizes, mostrando que a visão rotineira de Hollywood como o país (?) dos efeitos especiais, além de redutora e banalmente tecnocrática, nos conduz a uma percepção completamente equívoca das dinâmicas criativas do cinema americano.

Permito-me, por isso, deixar uma nota de sereno desencanto perante a ausência de Robert Redford nas nomeações para melhor actor, ele que interpreta, a solo, esse filme brilhante que é "All Is Lost/Quando Tudo Está Perdido". Na verdade, Redford é um veterano que nunca ganhou (enquanto actor, uma vez que foi melhor realizador, em 1981, com "Gente Vulgar") e teria sido um contagiante factor afectivo descobrir o seu nome entre os nomeados para melhor actor... Mas, como se diz no final de "Quanto Mais Quente Melhor" (1959): "Ninguém é perfeito".

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publicado 00:47 - 17 janeiro '14

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