Vem aí uma nova vaga do western?
"A Quadrilha Selvagem" (1969): o fim dos heróis clássicos

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Vem aí uma nova vaga do "western"?

Será que o "western" pode voltar a ser um género de produção regular, artisticamente criativo, de Hollywood? O novo filme dos irmãos Coen relança essa hipótese.

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Será que o filme dos irmãos Coen, "True Grit / Indomável", irá desencadear uma nova vaga do western? Convenhamos que a pergunta tem qualquer coisa de retórico, repetindo-se sempre que algum título do género consegue um inesperado impacto. Lembram-se de "Danças com Lobos", de Kevin Costner, e dos seus sete Oscars, incluindo melhor filme de 1990? O certo é que não se pode dizer que, depois, o western tenha voltado a ser um género essencial, ou sequer apenas regular, na produção de Hollywood.

Em boa verdade, a decadência simbólica do western tem cerca de meio século. Começou mesmo com alguns dos seus mestres clássicos, incluindo John Ford. Pensemos, por exemplo, no seu derradeiro western: "Cheyenne Autumn / O Grande Combate" (1964) é um filme de profundo desencanto, em particular na sua visão crítica das relações brancos/índios, que contrasta claramente com o espírito optimista e redentor de muitos dos seus títulos anteriores como, por exemplo, "She Wore a Yellow Ribbon / Os Dominadores" (1949).

A grande viragem crítica do "western" consumou-se, de forma simbólica, com dois filmes admiráveis de 1969: "Tell Them Willie Boy Is Here / O Vale do Fugitivo", de Abraham Polosnky, e "The Wild Bunch / A Quadrilha Selvagem", de Sam Peckinpah. No primeiro, assistimos a uma espécie de abertura trágica para o fim das tribos de índios; no segundo, deparamos com o tema vital da fronteira (com o México), reencenado como o apocalipse de todas as formas clássicas de heroísmo.

O filme dos Coen retoma o romance de Charles Portis que esteve também na base de "True Grit / Velha Raposa" (1969), filme de Henry Hathaway, com John Wayne no papel de Rooster Cogburn, agora retomado por Jeff Bridges. Em todo o caso, como Joel e Ethan Coen têm sublinhado, não se trata de um remake, mas de uma tentativa de reencontro com o espírito do livro. Que é como quem diz: uma (re)visão da epopeia do velho Oeste em que as ilusões romanescas são substituídas pela verdade crua de um mundo á procura da sua própria coerência institucional.

Será que tanto basta para relançar um género que, para todos os efeitos, tem sido objecto de uma clara secundarização no seio da indústria? Uma coisa é certa: os Coen apontam uma via possível de reconversão dramática e espectacular do "western". Além do mais, pormenor não secundário, "Indomável" está a ser um inesperado sucesso nas salas dos EUA.

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publicado 21:37 - 20 fevereiro '11

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