Veneza, dia 3: lost in transition
Stephen Dorff e Elle Fanning, pai e filha no filme de Sofia Coppola

Mais CinemaCinema Norte-americanoVeneza 2010  

Veneza, dia 3: lost in transition

O cinema narcisista e familiar de Sofia Coppola volta a compreender personagens perdidas e o tempo que vivemos

O Festival de Veneza acolheu com entusiasmo "Somewhere", o quinto filme de Sofia Coppola, onde uma estrela de Hollywood questiona a sua existência vazia e o seu estatuto de celebridade através do convívio com a filha.

Johnny Marco (Stephen Dorf), actor popular e divorciado, leva um estilo de vida veloz e furioso: conduz o seu Ferrari, habita no histórico Hotel Chateau Marmont, em Los Angeles, marca presença em festas e seduz parceiras sexuais de ocasião.

O filme retrata esta personagem desvairada através de longos planos e de cenas com diálogos mínimos. Mas a sátira assume tons de melodrama quando Johnny passa uma temporada mais longa com Cleo (Elle Fanning), a sua filha de 11 anos, e percebe como a sua vida é vazia.

O relacionamento entre pai e filha ressurge como tema central, à semelhança do que tinha sucedido com as personagens de Scarlett Johanson e Bill Murray em "Lost in Translation - O Amor é um Lugar Estranho", o filme perfeito da realizadora.

De certo modo Sofia Coppola regressou a uma zona de conforto, um território familiar - Los Angeles, Hollywood, o tédio do meio das estrelas de cinema que levam uma existência alienada.

O seu cinema narcisista compreende bem estas figuras desorientadas e enredadas nos seus labirintos emocionais. Perdidas, transitando entre algo, ou seja, lost in transition.

Progredindo com elas, a realizadora consegue ser muito verdadeira com a vida e com o tempo em que vivemos. Definitivamente, Sofia Coppola não anda nada perdida e sabe o caminho que trilha.


por

Recomendamos: Veja mais Artigos de Mais CinemaCinema Norte-americanoVeneza 2010