Veneza, dia 4: a consagração de John Woo
John Woo homenageado em Veneza
(foto de Toni Gentile, Reuters)

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Veneza, dia 4: a consagração de John Woo

O cinesta foi homenageado em Veneza e mostrou um novo filme produzido no oriente.

O realizador John Woo recebeu o Leão de Ouro de carreira rodeado de anfitriões com quem tem fortes laços: Quentin Tarantino (envergando um chapéu de cowboy), presidente do júri do festival e amigo de longa data, o produtor/realizador vietnamita Tsui Hark, e Marco Müller, presidente do festival e impulsionador do cinema asiático na Europa.

Müller sublinhou o facto de John Woo ser acima de tudo um cineasta do mundo. Woo comovido pela homenagem disse que foi através do cinema que conheceu Martin Scorcese, Francis Ford Coppola e Bernardo Bertolucci, os seus ídolos de juventude.

John Woo filmou em Hong Kong, foi para Hollywood e agora mudou-se para a China, um mercado em grande ascensão e com valores de produção que competem já com o cinema produzido pelos estúdios norte-americanos.

Talvez a marca mais constante do seu cinema de autor seja o lado poético com que pontua as mais cruéis e violentas cenas de acção. Em muitos filmes dele surgem pombas brancas, uma espécie de purificação romântica que assiste as sequências onde surge o elemento frio e anti-religioso da vingança.

Outro elemento presente nos suas obras é um cuidado extremo com a coreografia que envolve normalmente a morte e a destruição, como se víssemos um bailado ou um musical.

A audácia está presente nas primeiras obras criadas em Hong Kong nos anos 80: "The Killer", "A Better Tomorrow"; também na fase de Hollywood em "Operação Flecha Quebrada", "A Outra Face" e "Missão Impossível 2"; e revela uma nova dimensão artística no sublime "A Batalha de Red Cliff", já produzido na China.

Em Veneza, John Woo mostrou "Reign of Assassins", em que é produtor e co-realizador, um filme onde se cruza uma lenda do Kung Fu com uma inesperada e imprevisível história de amor. No filme John Woo mostra também um lado erótico feminino que a censura chinesa não gosta, mas que o cineasta não se importa de testar, seguindo as regras, mas desafiando os princípios dos censores.

John Woo é um cineasta capaz de conduzir o cinema ao desafio de se tornar verdadeiramente uma arte sem fronteiras nem tabus, sejam eles de que género sejam. E em Veneza prometeu que não vai parar.

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