Veneza, dia 9: o apocalipse de Ferrara
Shanyn Leigh e Willem Dafoe, um par de artistas confrontado com o fim do mundo.

"4:44 LAST DAY ON EARTH", de Abel Ferrara  

Veneza, dia 9: o apocalipse de Ferrara

Abel Ferrara filma o fim do mundo. Mas estaremos nós interessados em ouvir a notícia que verdadeiramente interessa?

O fim do mundo tem tido ecos no cinema por via de blockbusters, casos de "2012", de Roland Emmerich, ou do controverso "Melancolia", de Lars von Trier.

Em Veneza, o cineasta Abel Ferrara também apresentou uma visão apocalíptica do final dos tempos com "4: 44 Last Day on Earth".

O filme segue o dia do juízo final, fixando-se nas atividades de um casal nova-iorquino que dentro do seu apartamento, tenta aceitar o destino.

Pela televisão redescobrimos que afinal o ex:candidato à presidência dos Estados Unidos Al Gore tinha mesmo razão: a destruição da camada de ozono ia dar cabo da nossa civilização. O que ninguém imaginava é que tal acontecesse tão cedo.

Todos aguardam pela grande explosão e é o momento obrigatório para nos despedirmos dos amigos e da família pelo Skype, enquanto vemos as últimas notícias da TV, seguindo as palavras sempre sábias do Dalai Lama.

No caso deste casal, uma jovem pintora desempenhada por Shanyn Leigh e um ator de sucesso representado por Willem Dafoe, eles tentam solidificar a sua relação espiritual por via do sexo e da observação das protuberâncias dos seus corpos.

Não há forma de escapar, a Humanidade chegou ao fim e não existe milagre que a possa salvar. Mas entre estes dois amantes, há um desejo verdadeiro de partirem juntos como anjos em busca do céu e de algum paraíso.

Nas notas de produção de “4:44 Last Day on Earth” Abel Ferrara faz uma declaração baseada no pensamento do Dalai Lama de que os seres humanos se julgam superiores à "Natureza" que os cerca, sublinhando que "quando o mensageiro é puro, a mensagem perdura". Mas estaremos nós interessados em ouvir a notícia que verdadeiramente interessa?

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