Vidas de auto-estrada
"Home - Lar Doce Lar": história de uma família como as outras...

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Vidas de auto-estrada

A partir da banalidade do quotidiano, descobrimos as "maravilhas" do progresso... Ou como a cineasta franco-suíça Ursula Meier é um dos nomes essenciais da temporada de Verão

A sinopse do filme "Home - Lar Doce Lar" poderia reduzir-se a qualquer coisa como: esta é a história de uma família que vive ao lado de uma auto-estrada... E a descrição é para ser tomada à letra: eles têm mesmo uma casa a poucos metros da auto-estrada inacabada, até que um dia chegam as máquinas para concluir a obra...

Não é fácil, por isso, descrever o sentimento que o filme nos provoca. Por um lado, há naquela família (pai, mãe, três filhos) uma banalidade que a torna universal; por outro lado, a sua situação geográfica (e o pesadelo que se instala quando o trânsito começa a passar) lança-nos no labirinto de um absurdo que, como é óbvio, se organiza em forma de fábula — muito céptica, há que dizê-lo — sobre as "maravilhas" do progresso.

Nascida em Besançon (fronteira da França com a Suíça), em 1971, Ursula Meier é um nome relativamente recente no espaço francófono do cinema — "Homem - Lar Doce Lar" é mesmo a sua primeira longa-metragem para cinema —, mas distingue-se por um olhar tão singular quanto acutilante.

O filme de Meier possui a estranheza ambígua de um objecto que abraça todos os artifícios, ao mesmo tempo que se mantém próximo da vida quotidiana, dos medos das mentes e das vibrações dos corpos. Seria uma pena que um filme tão intenso e tão exigente fosse "apagado" pela agressividade das formas de marketing que dominam a temporada de Verão.

 

 

HOME - LAR DOCE LAR

De Ursula Meier
com Isabelle Huppert, Olivier Gourmet, Adélaide Leroux
Drama
97m
M/12
FRANÇA
2008
                

Ouça a crítica de João Lopes

 


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