Vive le cinéma français!
"A Regra do Jogo", de Jean Renoir: uma obra-prima de 1939

Cinema francês  

"Vive le cinéma français!"

Com a estreia de vários títulos de produção francesa em poucas semanas, podemos (re)descobrir uma das mais importantes cinematografias europeias. E os clássicos? Quem os dá a ver?

Trailer/Cartaz/Sinopse:
 Vive le cinéma français!
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Subitamente, o cinema francês ganhou uma evidência pouco vulgar no panorama das estreias portuguesas. Primeiro, foi o arranque do "mês Godard", com a estreia de "Filme Socialismo" (e do documentário "Godard/Truffaut - Os 2 da Nova Vaga"), acompanhada de várias edições e reedições em DVD (incluindo uma da cópia restaurada de "Viver a sua Vida", de 1962); depois, surgiu o mais recente título de Luc Besson ("As Múmias do Faraó - As Aventuras de Adèle Blanc-Sec"); enfim, na mesma quinta-feira, 17 de Março, foram lançados três títulos made in France: "Potiche - Minha Querida Mulherzinha", de François Ozon, "Copacabana", de Marc Fitoussi, e "Micmacs - Uma Brilhante Confusão", de Jean-Pierre Jeunet.

Que significa isto? Pelo menos um sinal de que é possível reconhecermos que a produção francesa possui uma diversidade que, para além de todos os juízos de valor que possa suscitar, ajuda a revitalizar para o mercado. Mais do que isso: o reconhecimento também de que a presença dominante dos filmes made in USA não é incompatível com o desenvolvimento da oferta comercial de outros produtos, de outras indústrias.

Esta conjuntura é tanto mais importante quanto sabemos que, infelizmente, há todo um apagamento de memórias (cinematográficas) que afecta, antes de tudo o mais, as gerações mais novas de espectadores. Por razões certamente vastas e complexas, e que vão desde a marginalização do cinema nas televisões generalistas até à banalização consumista dos downloads. Ora, em boa verdade, não é possível compreendermos a dinâmica de muitas formas de cinema (inclusive de Hollywood) sem conhecer minimamente o imenso património cinematográfico da França.

A estreia do citado documentário sobre Jean-Luc Godard e François Truffaut pode ser uma sugestiva porta de entrada nesse património: porque nos dá pistas interessantíssimas para conhecermos a "Nouvelle Vague" e os seus protagonistas; e também porque nos permite intuir que o trabalho específico de Godard, Truffaut, Chabrol, Rohmer ou Rivette se enraizou num classicismo indissociável de nomes de autores como Sacha Guitry (1885-1957), Abel Gance (1889-1981), Jean Renoir (1894-1979), Max Ophuls (1902-1957) ou Georges Franju (1912-1987).

Clássicos como "A Regra do Jogo" (Renoir, 1939) ou "Lola Montès" (Ophuls, 1955) são referências tutelares de um cinema que vai da contundência do testemunho histórico à máxima sofisticação técnica, além do mais conservando sempre uma invulgar energia transformadora (de que os autores da Nova Vaga foram, justamente, a modelar expressão). Faria sentido, e poderia ser comercialmente interessante, que o próprio mercado soubesse trabalhar tais memórias. Em boa verdade, faria sentido para muitas outras cinematografias, incluindo a americana.

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publicado 23:47 - 22 março '11

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