Von Trier: declaração sobre Hitler foi estúpida
O cineasta dinamarquês posa no final da controversa conferência de imprensa (foto: Tiago Alves)

Cannes 2011  

Von Trier: "declaração sobre Hitler foi estúpida"

Entrevistado pelo CINEMAX o realizador assume que foi mal entendido e esclarece o alcance da declaração que levou o festival a bani-lo.

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Lars Von Trier declarado `persona non grata` pelo Festival de Cannes O realizador Lars Von Tier foi declarado "persona non grata" na sequência de declarações proferidas na conferência de imprensa de ontem.

Uma resposta precipitada deu lugar a um equívoco. O realizador dinamarquês Lars Von Trier declarou ao CINEMAX (Antena 1/Antena 3) que afirmou ser nazi e compreender Adolf Hitler por ter sentido que estava a ser provocado na conferência de imprensa de apresentação do filme "Melancholia".

Assume que foi um atitude "estúpida" e que não se explicou correctamente. Entrevistado pelo Cinemax durante um encontro com jornalistas para promover o seu filme, esclareceu o que quis dizer: "quando vejo o Hitler interpretado por Bruno Ganz dentro do bunker [cita o filme "A Queda"] consigo ver um ser humano ali e acho isso bom. Porque há um pouco de nazi em cada um de nós, e um pouco de ser humano em Hitler. Pensar de outra maneira é perigoso".

Na sequências das declarações que fez na conferência de imprensa de apresentação de "Melancholia", onde assumiu ser nazi e ter simpatia por Adolf Hitler, o realizador foi banido do Festival de Cannes e considerado persona non grata. Divertido, assume que aprecia a "doçura maravilhosa" da expressão persona non grata. "Não estou contente com o que fiz, mas esta é uma forma doce de ser castigado".
 
Se o filme "Melancholia" for premiado, o cineasta não poderá comparecer no Palácio do Festival para receber o prémio. E esclarece que está obrigado a manter "uma distância de 100 metros" em relação ao local onde decorre o festival. Mas não mostra ressentimento nem admite passar a enviar os filmes para outros festivais, como Veneza - "só conheço lá uma pessoa", adianta, reforçando a sua ligação com Cannes.

Vai mais longe e até demonstra gratidão pela primazia que o festival francês lhe deu ao longo dos tempos, seleccionando 10 dos seus filmes e premiando "Dancer in the Dark" (Palma de Ouro), "Europa" e "Ondas de Paixão" (prémios do júri).
 

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