Woody Allen ou a vitóriado eterno ausente
Woody Allen e Scarlett Johannson: à procura da América perdida

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Woody Allen ou a vitória
do eterno ausente

Com "Vicky Cristina Barcelona", Woody Allen conseguiu mais um prémio nos Globos de Ouro — será este o sinal de num regresso aos EUA?

Há cerca de dois anos, esta imagem circulou como símbolo de uma nova aliança criativa: Scarlett Johannson seria a nova "musa" de Woody Allen. Agora, ela volta a ser um dos nomes principais de "Vicky Cristina Barcelona", premiado em Hollywood com o Globo de Ouro de melhor filme do ano, na categoria de Musical/Comédia.

Convém, no entanto, descer à terra. Ou melhor, não escamotear que, para ou melhor ou para o pior, estas coisas se decidem também em função das leis cruéis do mercado.

E acontece que "Vicky Cristina Barcelona" está a conseguir um impacto nas bilheteiras que Woody Allen há vários anos não obtinha. Neste momento, o filme já acumulou cerca de 80 milhões de dólares nos mercados internacionais, 23 dos quais nas salas dos EUA — como é óbvio, o Globo de Ouro vai ajudar a reforçar estes números.

Podemos pensar (como eu penso) que "Vicky Cristina Barcelona" é apenas uma simpática tentativa de refazer as grandes teias melodramáticas de outros títulos mais antigos de Woody Allen — saudades de "Ana e as Suas Irmãs"...

Em todo o caso, a questão que se (re)coloca está para além das naturais diferenças subjectivas de apreciação. Que é como quem diz: com o sucesso (comercial e mediático) deste filme, Woody Allen talvez tenha condições para regressar à produção regular no seu próprio país. E creio que todos já sentimos como Manhattan lhe faz falta.

Tendo em conta que Woody Allen ganhou nos Globos sem marcar presença na cerimónia, talvez possamos dizer que ele está a reencontrar os bons velhos hábitos. Ou seja: trabalhar com Hollywood, e para Hollywood, ficando na costa Leste a testar os sons do seu clarinete.

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