Cultura

Obras do teto mudéjar da Sé do Funchal começam em novembro

Trata-se de um investimento de 1,6 milhões de euros, comparticipado por fundos europeus.

Obras do teto mudéjar da Sé do Funchal começam em novembro
Os tetos em estilo mudéjar são únicos em Portugal dada a dimensão e características, pelo que a SRTC candidatou a obra ao abrigo do Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional (FEDER).

O investimento total ascende a 1,6 milhões de euros, sendo comparticipado em 987 mil pelo FEDER e os restantes 174 mil provenientes do orçamento regional.

"As patologias que mais afetam os tetos são as mudanças de cor visível, devido a sujidades acumuladas e aplicações de camadas de vernizes e óleos sobre as superfícies e à gordura e fumos de ceras das velas queimadas ao longo de anos", refere a SRTC.

A construção da Sé do Funchal teve início em 1493 e ficou concluída em 1517, ano em que foi sagrada a 18 de outubro e "uma das principais caraterísticas construtivas e decorativas da catedral reside nos tetos das naves e transeptos", pelo que importava dar seguimento ao diagnóstico feito no ano de 2014, em que foram identificados estes problemas.

A nave central, as laterais e o transepto são cobertos por um teto de alfarge, de estilo mudéjar (de tradição artística islâmica), em madeira de cedro da ilha, decorado em tons avermelhadas, acastanhados, azuis, brancos e dourados.

"No teto predominam em especial as composições vegetalistas, as albarradas ou ânforas e os grutescos e no friso, além dos motivos anteriores, sobressaem os grifos, o escudo, a cruz de Cristo e esferas armilares, estes dois últimos símbolos da heráldica de D. Manuel I", refere a documentação adstrita a este projeto.

A SRTC refere que durante a "intervenção de conservação e restauro serão adotados conceitos de intervenção mínima", com "respeito integral pelos materiais originais e utilização de materiais compatíveis com os que compõem o original".

O caderno de encargos refere ainda que será realizado um "acompanhamento exaustivo da intervenção, em fotografia e vídeo, para a produção de um documentário e de um livro sobre a intervenção", para além de um concerto inaugural quando a obra ficar concluída.