Economia

Lesados do Banif vão fazer-se ouvir junto de Marcelo Rebelo de Sousa

O Presidente da República visita a Madeira na próxima quarta-feira, dia 18 de outubro. Para este dia os lesados do Banif agendaram uma manifestação para alertar o Chefe de Estado para um problema que se arrasta.

Lesados do Banif vão fazer-se ouvir junto de Marcelo Rebelo de Sousa

© Gregório Cunha - LUSA

A Associação de Lesados do Banif (ALBOA) vai manifestar-se na próxima quarta-feira no Funchal, frente ao Centro de Congressos da Madeira, onde o Presidente da República vai estar a participar na Assembleia-Geral da Conferência das Regiões Periféricas Marítimas da Europa.

Os lesados do Banif insistem em que foram enganados, primeiro pela instituição bancária e depois pelo Estado. O protesto está agendado para as 13 horas do dia 18 de outubro.

A reunião anual da Assembleia-Geral da Conferência das Regiões Periféricas Marítimas da Europa vai juntar representantes de 160 regiões da União Europeia que vão discutir está o quadro financeiro plurianual 2021-2027. 
Além de Marcelo Rebelo de Sousa, o encontro conta o comissário europeu Carlos Moedas e com os presidentes dos governos regionais da Madeira e dos Açores. Governantes a quem os lesados pretendem pedir ajuda numa solução rápida e eficaz que compense os investidores.

A ALBOA apela a todos os associados e lesados para que se juntem a este protesto, apesar de continuar a esperar por um acordo de princípio com o Governo da República até final de dezembro.

No caso Banif, pelo tipo de instrumentos financeiros que as pessoas compraram e pelos quais sofreram perdas, é provável que muitas das reclamações não vejam os seus créditos reconhecidos. Em dezembro de 2014, o Banif foi alvo de uma medida de resolução por decisão do Governo e do Banco de Portugal. Na altura, vários milhares de clientes e investidores do banco consideraram-se lesados.

Entre os lesados estão cerca de 3.500 obrigacionistas, grande parte das regiões autónomas da Madeira e dos Açores, mas também das comunidades portuguesas na África do Sul, Venezuela e Estados Unidos, num total de perdas de 263 milhões de euros.

Além destes, há ainda a considerar 4.000 obrigacionistas da Rentipar ('holding' através da qual as filhas do fundador do Banif, Horácio Roque, detinham a sua participação), que investiram 65 milhões de euros, e ainda 40 mil acionistas, dos quais cerca de 25 mil são oriundos da Madeira. Parte da atividade do Banif foi adquirida pelo Santander Totta por 150 milhões de euros, tendo sido ainda criada a sociedade-veículo Oitante, para onde foi transferida a atividade bancária que o comprador não adquiriu.

Em junho passado, o Banco de Portugal pediu a liquidação judicial do Banco Internacional do Funchal (Banif), na sequência da revogação pelo Banco Central Europeu (BCE) da autorização para o exercício da atividade. A comissão liquidatária é constituída por José Manuel Bracinha Vieira, Carla Sofia Rebelo e João Luís Figueira.