Política

Jardim defende nova formação política para resolver problemas do país

Alberto João Jardim defendeu ontem que só uma reforma dos partidos ou uma nova formação política poderá resolver os problemas do país, reiterando discordâncias com o atual líder do PSD mas sem dizer quem gostaria de ver como sucessor.

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Em declarações aos jornalistas na apresentação do seu livro de memórias "Relatório de Combate", em Lisboa, o ex-presidente do Governo Regional da Madeira elogiou o atual executivo por ter "feito o que era evidente", devolvendo rendimentos, e considerou positiva a atuação de Marcelo Rebelo de Sousa.

Questionado sobre o futuro do PSD, João Jardim remeteu a solução para os militantes, mas disse que "hoje não é fácil afastar pessoas que estão dentro dos partidos", nem se mostrou entusiasmado com a possibilidade de serem introduzidas primárias na escolha do líder.

"Não, isso não resolve nada. Os cinco partidos do regime cansaram, para haver alterações em Portugal, isto passa tudo ou grandes mudanças dentro dos partidos - será possível? - ou então com iniciativas novas como estamos a ver noutros países", disse, apontando o exemplo da França.

Questionado se o atual presidente do PSD, Pedro Passos Coelho - a quem faz muitas críticas no livro e que não foi convidado para a apresentação - está esgotado, Alberto João Jardim respondeu afirmativamente mas considerou que "a questão já não é essa, é o que se vai seguir".

No entanto, escusou-se a nomear quem seria um bom líder para o partido -- "é como as mulheres bonitas, há muitas" -, preferindo apontar para uma nova solução política, mas afastando-se de a protagonizar.

"Dei tudo o que podia e sabia à política, com 74 anos deixe-me gozar o que resta de vida (...). Acabou-se concorrer a cargos políticos", disse.

Interrogado sobre um possível sucessor de Passos Coelho, respondeu: "Sobre a atual solução governativa, um executivo PS minoritário apoiado por BE, PCP e Verdes, o antigo líder do PSD-Madeira salientou que nunca disse ser contra a chamada 'geringonça'.

"Todos dizíamos, eu também, que era preciso colocar moeda em circulação, devolver rendimentos, para a economia espevitar. O que se fez era o que era evidente que tinha de ser feito, só não percebo é como é que o governo anterior não viu essa evidência", disse.

Alberto João Jardim alertou, no entanto, contra "a propaganda", considerando que os números do crescimento e do desemprego têm de ser melhorados.

"A situação está melhor mas cuidado com a propaganda", disse.

Sobre a atuação do atual Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, Jardim classificou-a como positiva, mas lembrou que em Portugal o chefe de Estado não governa.

"A relação com o Governo é positiva, os Presidentes da República não são para andar a criar problemas ao Governo, nem os Governos são para se desculpar com o Presidente da República, como já tivemos em Portugal", disse.

Ao antigo líder parlamentar do PSD Guilherme Silva coube apresentar o livro, classificando Jardim como "um homem que nunca abdicou de princípios e valores" e herdeiro do PSD de Sá Carneiro.

"Não se acomodou às versões mais liberais dos últimos tempos e fez bem em não se ter acomodado", afirmou.

Numa intervenção de cerca de 40 minutos, Guilherme Silva disse que Portugal é "um país de desperdícios" por nunca ter dado a Jardim "responsabilidades superiores no Estado".

Na assistência, de poucas dezenas pessoas, estiveram o antigo chefe da Casa Civil de Cavaco Silva, Nunes Liberato, os antigos deputados do PSD Bacelar Gouveia, Correia de Jesus e Hugo Velosa e as atuais deputadas sociais-democratas eleitas pela Madeira Sara Madruga da Costa e Rubina Berardo.