Política

Maduro desafia oposição para eleições legislativas antecipadas

O Presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, propôs esta segunda-feira antecipar as eleições legislativas, previstas para 2020, como forma de encontrar uma “solução pacifica” para a crise que afeta o país e desafiou a oposição a ir a votos.

© Reuters

“Tenho uma proposta hoje, 20 de maio, para as oposições: vamos avaliar-nos eleitoralmente, vamos a eleições antecipadas da Assembleia Nacional para ver quem tem os votos e ver quem ganha”, disse Nicolás Maduro.

A Assembleia Nacional (parlamento) é o único poder que está nas mãos da oposição na Venezuela desde 2016, quando o partido no poder perdeu a maioria dos lugares depois de uma vitória da oposição.

Desde então, o Supremo Tribunal declarou que os atos do parlamento são nulos e em 2017 Maduro avançou com a formação de uma Assembleia Nacional Constituinte, composta apenas por apoiantes do Governo, que assumiu as competências exclusivas do parlamento.

“Vamos avançar para eleições. Vamos para uma solução pacífica, eleitoral, democrática e constitucional. Eu quero eleições, eleições já”, acrescentou Maduro, que vaticinou uma vitória caso ocorra um novo sufrágio.

A crise política na Venezuela agravou-se em 23 de janeiro, quando Juan Guaidó, que é presidente da Assembleia Nacional, onde a oposição detém a maioria, jurou assumir as funções de Presidente interino e prometeu formar um Governo de transição e organizar eleições livres.

Na madrugada de 30 de abril, um grupo de militares manifestou apoio a Juan Guaidó, que pediu à população para sair à rua e exigir uma mudança de regime, mas não houve desenvolvimentos na situação até ao momento.

Nicolás Maduro, 56 anos, no poder desde 2013, denunciou as iniciativas do presidente da Assembleia Nacional como uma tentativa de golpe de Estado liderado pelos Estados Unidos.

À crise política na Venezuela, onde vive uma grande comunidade portuguesa e lusodescendente, soma-se uma grave crise económica e social, que já levou mais de 2,3 milhões de pessoas a fugirem do país desde 2015, de acordo com dados das Nações Unidas.

C/ LUSA