Política

PSD acusa PS de usar «rolo compressor da maioria» para censurar declarações de deputados

O PSD acusou hoje o PS de recorrer ao “rolo compressor da maioria” absoluta para tentar censurar declarações de deputados, depois de um episódio registado na Comissão de Poder Local durante a audição da ministra Ana Abrunhosa.

PSD acusa PS de usar «rolo compressor da maioria» para censurar declarações de deputados
“O PS quis apagar declarações de deputados, que usaram o seu tempo regimental, e soubemos o que foi o regresso ao lápis azul à democracia e ao sistema político português”, acusou o vice-presidente da bancada Luís Gomes, que esteve presente na comissão, numa referência aos tempos da censura.

O social-democrata condenou e lamentou a atitude da deputada socialista Isabel Guerreiro, que pediu para que fosse retirado das atas e da gravação da comissão o momento em que o deputado Carlos Guimarães Pinto pediu a demissão da ministra da Coesão Territorial.

“É absolutamente lamentável, não podemos condescender com este tipo de práticas”, criticou Luís Gomes, defendendo que os deputados são livres de dizer o que quiserem dentro dos seus tempos regimentais.

O deputado social-democrata considerou, inclusivamente, que esta atitude do PS “fere a democracia e a Constituição”

A Iniciativa Liberal (IL) já tinha condenado esta atitude, através de uma publicação de Carlos Guimarães Pinto, na rede social Twitter.

“Agora mesmo na audição à Ministra da Coesão Territorial uma deputada do PS pediu para que a gravação da minha intervenção sobre os fundos atribuídos ao marido da ministra fosse apagada. Incrível. Inacreditável em democracia”, escreveu o deputado da IL.

Em causa, está a notícia avançada pelo Observador que dá conta de que duas empresas do marido de Ana Abrunhosa receberam fundos comunitários da área por si tutelada.

Segundo o Expresso, o deputado liberal questionou esta manhã a governante sobre a “questão ética” subjacente ao facto de só uma das empresas detidas pelo cônjuge, a Thermalvet, ter recebido 133 mil euros da União Europeia (UE) e pediu que devolvesse o dinheiro ou se demitisse.

De acordo com o Observador, a Thermalvet, detida a 40% pelo marido de Ana Abrunhosa, recebeu 133 mil euros de um total de 303.275 euros, o que corresponde a mais de um terço dos fundos comunitários recebidos pelo país. Esta empresa foi fundada em outubro de 2020, 15 dias antes do arranque do projeto.

Já a Xiapu, empresa que conta com uma participação indireta do conjugue da ministra, recebeu 66.015 euros no quadro do programa Compete 2020.
Lusa