Sociedade

Alta Comissária da ONU chegou a Caracas para analisar crise política, económica e social

A Alta Comissária da ONU para os Direitos Humanos, Michelle Bachelet iniciou quarta-feira uma visita de três dias à Venezuela, país que enfrenta uma grave crise política, económica e social que forçou mais de 4 milhões de venezuelanos a emigrar. Durante a visita de três dias, a chilena Michelle Bachelet vai reunir-se também com o líder da oposição, Juan Guaidó, e com várias vítimas de abusos por parte do regime. Maduro diz que aguarda o encontro com grande expectativa enquanto Guaidó pediu aos venezuelanos que se voltem a manifestar nas ruas.

Durante a visita Bachelet se reunirá com o Presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, vários ministros e altos funcionários do Governo venezuelano, assim como o presidente do Supremo Tribunal de Justiça, Maikel Moreno, o procurador-geral Tareck William Saab, o provedor de justiça, Alfredo Ruíz Angudo e o presidente da Assembleia Constituinte (composta unicamente por simpatizantes do regime), Diosdado Cabello.

Da agenda da visita faz parte um encontro com vários deputados opositores e com o presidente da Assembleia Nacional (parlamento), o opositor Juan Guaidó, que em janeiro último jurou assumir as funções de presidente interino da Venezuela.

Estão ainda previstas reuniões com representantes da sociedade civil, delegados sindicais, líderes religiosos, autoridades universitárias e vítimas de alegados abusos e violações dos direitos humanos.

Familiares dos presos políticos venezuelanos disseram aos jornalistas que esperam reunir-se com Michelle Bachelet, entre eles Ana Maria da Costa, irmã do politólogo luso-descendente Vasco da Costa, que necessita de atenção médica urgente para tratar de um tumor no olho esquerdo.

O Presidente Nicolás Maduro já se referiu à chegada de Michelle Bachelet ao país, a quem deu as boas vindas, sublinhando esperar que a sua visita "seja para bem, para que a Venezuela melhore".

"Dou-lhe as boas vindas. Temos muito grandes expetativas e esperamos que seja para melhorar o sistema de Direitos Humanos na Venezuela", disse num ato transmitido pela televisão estatal venezuelana.

Por outro lado, o líder opositor Juan Guaidó disse que prevê encontrar-se com Michelle Bachelet a 21 de junho último, dia em que a oposição realizará uma concentração em Caracas, junto da sede do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD).

Para Guaidó, Bachelet está em Caracas para encontrar soluções à grave crise humanitária no país, ao conflito político estrutural e para realizar um relatório técnico.

A deslocação da ex-presidente do Chile a Caracas tem por base um convite feito pelo Presidente Nicolás Maduro a 8 de novembro último.

C/ LUSA