Sociedade

Choveu três vezes mais a Norte

O posto udométrico da Fajã da Nogueira registou 618 mm de precipitação no mês de dezembro de 2020, ultrapassando em 228% o valor médio mensal de 270 mm dos meses homólogos, no período 2004-2019.

Choveu três vezes mais a Norte
De acordo com o relatório que o Governo da Madeuira está a apresentar sobre os estragos provocados pela chuva no Norte da ilha, ficou a se saber que um dos postos udométricos da rede meteorológica regional sob gestão do Laboratório Regional de Engenharia Civil, designadamente o da Fajã do Penedo, implantado à cota 259, na freguesia de Boaventura, registou um total de 269 mm de precipitação, valor equivalente a 386% do máximo diário de 77 mm, registado no mês de dezembro dos últimos 15 anos. 

No dia 25 de dezembro, em Boaventura e Ponta Delgada, foram contabilizadas quatro vagas de precipitação intensa com picos variáveis entre os 18 mm/h e os 37 mm/h. A primeira entre as 2 horas e as 4 horas da manhã, a segunda entre as 9 e as 12 horas, a terceira entre as 16  e as 19 horas, período durante o qual ocorreu a aluvião, e a última às 23 horas.

A precipitação que originou a aluvião foi, a todos os níveis, excecional, tendo desencadeado diversas instabilidades geológicas em vertentes inclinadas e densamente arborizadas, a maioria das quais entre as cotas 200 e 400, provocando mais de seis dezenas de deslizamentos de terras que, no total, mobilizaram mais de 40.000 m3 de material rochoso e árvores de grande porte, segundo as estimativas do Laboratório Regional de Engenharia Civil, deixando 80.000 m2 de cicatrizes nas encostas de Ponta Delgada e de Boaventura.

As obstruções de muitas das passagens hidráulicas da rede viária regional, construídas há cerca de 40 anos, devido à acumulação, nas suas bocas de montante, de material rochoso e vegetal transportado pelas águas fluviais, provocaram diversos galgamentos de estrada, através e ao longo das quais os fluxos detríticos escoaram, deixando um rastro de destruição em zonas urbanas e rurais. As áreas afetadas pelas derrocadas e pelos fluxos detríticos ultrapassam os 175.000 m2.