Chove plástico nos Estados Unidos. Pesquisador deteta microplásticos na precipitação

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Um pesquisador norte-americano descobriu acidentalmente que está a chover plástico na região das Montanhas Rochosas, mais concretamente, no Estado de Colorado. As micropartículas encontradas podem vir a ter efeitos nocivos para a saúde.

“Acredito que o resultado mais relevante que podemos compartilhar com o público é que há mais plástico por aí do que podemos ver”, começou por afirmar Gregory Wetherbee, pesquisador do Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS ).

Está na água da chuva, está na neve, é parte do ambiente em que vivemos agora”, assegurou.

A descoberta, publicada num estudo recente intitulado de “Está a chover plástico”, levantou novas questões sobre o impacto ambiental provocado pelas atividades humanas.

Ao analisar algumas amostras de precipitação recolhidas na região das Montanhas Rochosas, no Estado do Colorado, Gregory Wetherbee encontrou fibras plásticas microscópicas na água da chuva.

Microplásticos descobertos por Gregory Wetherbee

Wetherbee encontrava-se a estudar a poluição por nitrogénio quando se deparou com estas partículas. “Acho que esperava ver maioritariamente partículas de solo e minerais”, admitiu o pesquisador numa entrevista ao Guardian. “Os resultados foram puramente acidentais ”, acrescentou.
O plástico pelo mundo
A viajar pelas correntes de vento ou a cair dos céus por todo o mundo, as partículas de plástico podem ser encontradas praticamente em qualquer parte do planeta. Dos solos aos mares, já foram encontrados microplásticos até no ar que respiramos.

A descoberta de Gregory Wetherbee sugere que as partículas de plástico podem ser espalhadas pelo vento por centenas ou milhares de quilómetros.

Ainda assim, a origem pode ser, em grande parte, do lixo visto que mais de 90 por cento do plástico produzido no mundo não é reciclado. Este degrada-se lentamente e decompõe-se em minúsculas partículas invisíveis a olho nu.

Até desaparecer por completo, continua a circular pelo ambiente e incorpora-se em todos os meios que encontra. Ao longo de 450 anos, este é um ciclo que parece não ter fim.

“Mesmo se agitássemos uma varinha mágica e parássemos de usar o plástico, não é evidente por quanto tempo o plástico continuaria a circular pelos nossos rios”, referiu Stefan Krause, um cientista na Universidade de Birmingham, em Inglaterra.

“Com base no que sabemos sobre o plástico encontrado nas fontes de água subterrânea e aquele que está acumulado nos rios, eu diria séculos”, supôs.

Atualmente, o consumo anual de plástico já ultrapassou os 320 milhões de toneladas e a tendência imposta pelo consumo humano é para este número continuar a aumentar.

Só na Europa produzem-se cerca de 25 milhões de toneladas de resíduos plásticos, por ano. Desse valor, apenas 30 por cento, menos de um terço, é que chega a ser reciclado.

Já nos oceanos, há 150 milhões de toneladas de plástico a boiar pelas correntes marítimas.

De acordo com as previsões lançadas pelas Nações Unidas, caso as taxas de poluição atuais se mantenham, em 2050 poderá haver mais plástico do que peixes no mar.

O plástico pode ter muitas aplicações positivas e essenciais para a humanidade. Contudo, os microplásticos também podem ser prejudiciais à saúde e atrair metais pesados – como o mercúrio – além de bactérias tóxicas.

“As partículas de plástico dos móveis e dos tapetes podem conter retardadores de chamas [substância química utilizada para retardar ou eliminar a propagação de chamas em materiais] que são tóxicos para os seres humanos”, explicou Krause.

A preocupação dos cientistas é que os seres humanos e os animais estejam a consumir microplásticos na comida e na água. Ainda assim, os efeitos para a saúde ainda são desconhecidos.

“Podemos nunca chegar a perceber a relação entre o plástico e a saúde”, afirmou Stefan Krause.

No entanto, “sabemos o suficiente para dizer que provavelmente não é bom respirar plástico e que devemos começar a pensar em reduzir drasticamente a nossa dependência dele”, rematou.

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